domingo, 26 de abril de 2015

Andando e Errando: Pereceremos Mas Não Aprenderemos?

Como animais humanos, nascemos, crescemos, nos reproduzimos e morremos.
Como raça e sociedade, buscamos a garantia da sobrevivência e permanência neste mundo.
Como seres pensantes em eterno conflito – interno e externo –, buscamos respostas para o entendimento de nós mesmos e do nosso lugar no Universo.
No passado pré-histórico, lidávamos dia-a-dia com predadores e forças naturais; os pensamentos, simples como a natureza, refletiam o assombro diante dos fenômenos: os trovões eram as vozes dos deuses!

Com o advento da agricultura (e a consequente garantia alimentar) e das organizações humanas complexas – regidas pelas mais diversas regras – pudemos direcionar grandes quantidades de calorias e tempo no cultivo do pensamento e na contemplação. Surgem daí ideias mais elaboradas, os embriões da Ciência e da Filosofia, as religiões e os primeiros governos com alguma constituição.

Misturavam-se sociedades dominadoras e anárquicas, simples e complexas, comandadas por líderes (justos ou repressores), ou até mesmo em um inacreditável e harmonioso estado de Democracia pura.

Alguns sentiram (e ainda sentem) a angústia de algo maior e invisível – muito além do que se vê e entende como leis do universo físico – e assim nasceu a espiritualidade.

Com o crescer do nível de  complexidade das instituições humanas, nos deparamos com a criação e a destruição, com o conhecimento e o medo dele. O poder desencarna dos músculos e evolui para outras instâncias humanas.

Assim, uma complexidade antes inimaginável surge da mistura de política, religião, Ciência e Filosofia, sustentadas por sociedades e crenças diversas, divisão territorial, culturas e línguas diferentes. Nasce o terrível jogo político, a concentração de poder e riquezas, novas armas, técnicas e motivações para infindáveis conflitos.

Neste caminhar da História, vimos estados monárquicos crescerem e definharem e ditaduras oprimirem e massacrarem sua própria gente para, depois, caírem.
Vimos o fanatismo e o ódio entre povos e culturas diferentes justificarem guerras e genocídios.
Vimos nações sendo guiados por cegos, sanguinários e medíocres.

Vimos também a revolução industrial, o surgimento do capitalismo, de empresas e pessoas poderosas como nações.

Vimos escravidão e todo tipo de opressão.

Pudemos viver a revolução tecnológica, o surgimento da World Wide Web e da era da informação.

Compreendemos que a Terra é finita, que os recursos acabam, e que o futuro da humanidade depende de respeitarmos os limites do planeta.

Conhecemos, também, um pouco do nosso verdadeiro lugar no universo: um minúscula rocha escondido na periferia de uma galáxia – ela mesma pequena e igual dentre bilhões de outras.

Perscrutamos novas realidades, trazidas à luz visível pelo desenvolvimento científico que possibilitou a manipulação genética, a exploração espacial, o surgimento da Física Quântica, Relativística e Nuclear, entre tantas conquistas.

Enfim, vimos a complexidade infinita do Universo e quão limitado somos, condenados a vivermos presos em nossa inescapável finitude.

Tantas lições – para pessoas e nações – que podem ser tiradas de nossa história, do conhecimento acumulado, de nossa experiência pretérita e atual.

Mas caminhamos errando enormemente ainda agora, fazendo coisas que a experiência já nos mostrou ser um grande equívoco:
  • Voltamos a misturar Governo e Religião, crença e Ciência;
  • Continuamos a fabricar milhões de miseráveis para que apenas alguns vivam a vida de imperadores, abençoados pelo Deus-Mercado;
  • Na era da informação, teimamos em cultivar vícios, ignorâncias e preconceitos;
  • Tratamos nossas crianças como objetos de abandono, ou na superficialidade que vem da falta de limites, fabricando adultos desajustados em série;
  • Depredamos nosso planeta tal qual vírus e gafanhotos, consumindo tudo sem pesar;
  • Ainda se louva estados repressores, se reverencia ditadores. Alguns saem às ruas cometendo o crime de pedi-los (para estes, eu daria 5 minutos encarnados no corpo dos torturados, para cair na real da dor sentida – de corpo e alma –, infligida por monstros travestidos de autoridade);
  • Muitos ainda acham que é moral viver em um país em que crianças sintam fome, e flagelados pereçam na seca – de água e de humanidade.
Precisamos usar nosso conhecimento para construir um mundo onde nem uma criança passe fome, ninguém definhe na porta do hospital por ser pobre, nem um cidadão fique preso às correntes da miséria.
Só isso é humanamente justo e aceitável e poderá proporcionar paz e fraternidade como normas.

Já temos experiência e informação bastante para sabermos que a humanidade só prospera e vale a pena com tolerância entre pessoas e nações, com fartura para todos, com educação e respeito para com a natureza.

Porquê teimamos em cometer os mesmos erros se já estamos conscientes de sua capacidade destrutiva e desagregante?

Quem não aprende pela via da cooperação e do respeito, aprende pela dor (se ainda houver tempo para tal aprendizado).

Temos escolha?
EdiVal
25/04/2015

domingo, 19 de abril de 2015

Desaprendendo a Odiar e Aprendendo a Desodiar

Ódio é desespero, amor é pacificação.

Apesar disso, odeia-se muito neste mundo.
É uma emoção particularmente presente na raça humana, não há como se ter dúvidas.

Há seres que odeiam tudo: odeiam quem não odeia o mesmo ódio e amam quem odeia igual; odeiam como esporte, amam odiar.

Famílias, religiões, seitas e sociedades – todos tem seus objetos de ódio, como por exemplo: uma outra classe de mesma categoria, uma personalidade histórica, um ser mítico, uma crença contrária (ou qualquer crença que não a sua, a depender do grau de fanatismo).
Pior: podem odiar membros íntegros da MESMA denominação ou sociedade por condições, posições ou condutas que não gostam ou concordam!
Em um "certo País", além dos diversos preconceitos irracionais seculares, como os relacionados à opção sexual, credo e cor, vê-se o crescer o ódio de classes e de posicionamento político; impossível não citar também o ódio estimulado por algumas seitas evangélicas.

Assim, nesta escalada, torna-se o homem – como indivíduo e raça – o seu próprio e maior predador!

Com o tempo, de tanto refastelarmo-nos com a conflagração, felizmente tornamo-nos fartos, pois o ódio consome, desagrega e destrói também quem o porta. Assim, nos sentimos, um dia, cansados de tanto odiar, desejosos de retirar este peso vil de nosso peito.
Mas o que nos espera não é fácil! O ódio que acalentamos e alimentamos durante tanto tempo se configura, muitas vezes, tal qual droga pesada, maldição secular, avassaladora pressão mesológica ou egrégora pegajosa.

Constatação:
Tentar o não-ódio é escolher o caminho do contrafluxo, onde até os seus entes amados podem se voltar contra você, odiando-o!

Então, como escapar das espirais virulentas de ódio?  Quero aqui discorrer um pouco sobre esta questão e mostrar que: sim, é possível abandonar posições odiosas!

O desaprender a odiar e o aprender a "desodiar" que pretendo expor são dois entes semelhantes do mesmo sistema; tem direções diferentes, mas são totalmente complementares – repousam na mesma linha como os dois sentidos de um vetor.
O primeiro é – tomando emprestados alguns conceitos da Física – fazer desacelerar a ira até tornar estático o crescimento do "vetor ódio"; o segundo é tentar retornar, fazer o caminho contrário e voltar ao ponto em que existia a condição do "não-ódio" – o ponto neutro: zero ódio, zero amor.

Lembre-se sempre: ninguém nasce odiando; aqueles que nos cercam se encarregam de ensinar.

Para deixar de odiar não se pode ter medo. É preciso coragem para confrontar suas próprias ideias e as dos seus, e assim ir em direção ao outro, para finalmente conhecê-lo. É necessário perceber que se você tivesse nascido na família daquele que odeia, amaria aquelas pessoas, teria as crenças delas, e certamente também seu ódio. Sim, você odiaria os seus – estes que, agora, ama – e acharia suas crenças atuais, tão caras para você, um absurdo ou insanidade!

Saber se colocar no lugar do outro, a ponto de sentir o que ele sente e compreender como ele construiu sua visão de mundo, é o segredo da fraternidade, da tolerância e da PAZ.

Se você compreender isso, não conseguirá mais odiar!

Não, não é fácil. O não-odiar é uma arte do exercício diário!

Como não sentir vontade de fazer o mesmo com aquele que mata covardemente uma criança, esfola um cachorro? Contudo, se os odiarmos nos ligamos irremediavelmente aos mesmos e a seu mundo; e mais: se fizermos com eles o que fizeram com suas vítimas, nos aproximamos e, em muitos casos, nos igualamos a estes que nos fizeram sentir náuseas de revolta.

Não, não teremos feito justiça, mas apenas um ato de vingança! Seremos criminosos perante a as leis humanas e do Universo. Saberemos sempre do sangue em nossas mãos.

Quem nos deu o direito de julgar, sentenciar e executar?

Lembre-se: sempre que você acredita em algo, seu cérebro filtrará as experiências que vivencia, fazendo parecer que a realidade do mundo é aquela mesma que acredita; assim, seu ódio se intensificará e poderá ser eternizado por tantas "provas" de que o outro merece todo o desprezo que devota a ele. Esta tendência a acreditarmos fortemente somente naquilo que confirma nossas crenças interiores se denomina raciocínio motivado.

Já será uma enorme conquista pessoal se o indivíduo que alimentou algum grande ódio chegar ao "ponto zero" – o estado do "não-ódio"; mas o ideal é seguir além na direção contrária, ultrapassando este ponto e, com calma, começar a amar quem, antes, contundentemente se odiava.
Este é o terceiro elemento em direção à saúde do coração e das sociedades: o aprender a amar (talvez, quem antes se odiava – o supra-sumo da transcendência humana).

Este sim é um desafio para os fortes! Com certeza, exige uma luta interna titanesca perseverar no caminho da auto/hetero-pacificação e da fraternidade.

Para que isso aconteça, é necessário férrea força de vontade, buscar sempre o universalismo e a ampliação da visão de mundo e de nossa humanidade; é mais necessário ainda, repito, aprender a se colocar no lugar do outro, conhecê-lo e, até, admirar suas qualidades e o ser único que ele é.

Necessita-se aprender, também, a não deixar a farpa das ideias preconceituosas penetrar em nossa mente e envenenar nosso discernimento. E acredite: você será bombardeado por elas!

O ódio diminui a vida, o que é uma prova contundente de sua ANTINATURALIDADE e por isso é, no mínimo, uma posição nada inteligente.

O ódio é o veneno que contamina, cega e adoece, trazendo a ira que agride e a adaga que mata!

Um lembrete adicional: todos – eu, você e os outros – temos o direito de ter defeitos e manifestar ideias absurdas (uma questão e liberdade). O que não temos direito de fazer é atacar o(s) outro(s) ou alimentar o hetero-ódio. Inclusive, poderemos estar cometendo um crime previsto em lei se fizermos isso!

Abaixo, um bela Palestra do TED que ilustra bem as teses deste texto com um exemplo real. Na descrição: "Se você for criado em dogma e ódio, será que consegue escolher um caminho diferente? Zak Ebrahim tinha só sete anos quando seu pai ajudou a planejar o bombardeamento do World Trade Center em 1993. Sua história é chocante, poderosa e enfim, inspiradora".




Além da maioria das religiões e filosofias, algumas teorias modernas também trazem indicativos de que o seu ódio ressoa pelo mundo, tornando-o pior só de você senti-lo (ou torna-o melhor, se você se alinha com positividades), tais como o Inconsciente Coletivo de Jung, a Teoria do Centésimo Macaco e a  Ressonância Mórfica.

Também AME A SI MESMO, porque quem se odeia, odeia o mundo todo. 

Se conseguir sentir amor por você mesmo verá acontecer a pacificação interna e de toda sua esfera de relações.

Busque a humildade de saber que o seu mundo e o que você acredita não é melhor que o universo e a crença do outro.
Se amar é difícil, comece expurgando todo o ódio. Você não vai ser menor, muito menos morrer; aliás, vai ampliar seu mundo, suas trocas, sua vida e sua felicidade.

Se apenas conseguir não odiar, você já pode se considerar um vencedor!
Se amar, você se tornou um ponto de luz no mundo!

Mas prepare-se, porque seus ex-comparsas odiadores mais próximos lhe atacaram inicialmente para depois, finalmente, escorraçá-lo de suas vidas e meios.

Em síntese:
  • Primeiro, desacelere o movimento que faz em direção ao ódio até desaprender a odiar;
  • Depois, aos poucos (ou em dolorida ruptura), "desodeie" – retorne ao ponto do "não-ódio";
  • E, finalmente, procure sentir apreço e amor às pessoas e coisas do mundo (e é claro, a você próprio!).
Com isso, o mundo – interno e externo – nunca mais será o mesmo!
Se você odeia alguém, é porque odeia alguma coisa nele que faz parte de você. O que não faz parte de nós não nos perturba. — Hermann Hesse
EdiVal
19/04/2015

Brinde (não precisa de tradução para entender):


Sínteses Sobre a Realidade da Justiça no Brasil

A Realidade Sobre a Justiça no Brasil em:

1- Um Parágrafo.
Se não forem investigados e punidos os escândalos de TODOS os partidos e esferas (política/governamental/administrativa/empresarial...), vai se eternizar a sensação de que a Justiça neste país é uma retumbante falácia e, com isso, veremos a maior perda de oportunidade que o Brasil já teve de ser passado a limpo. Uma parte sectária e superficial da população ficará satisfeita, mas uma sensação indefinida e subjacente de que nada mudou, de que "algo está errado", incomodará a maior parte da população; será como uma "conquista sem sabor", pois somente a justiça verdadeira, omnilateral, pacifica uma nação, gerando na confiança que se pode colocar em suas instituições a força motriz para o progresso de qualidade que somente os povos livres e justos podem obter. Se as investigações continuarem a seguir apenas o caminho da esquerda, a impressão que ficará é a de que elas acontecem apenas para excluir de um amplo e generalizado esquema de corrupção uma parte não desejada.

2- Uma Frase.
Se somente a verdadeira justiça traz paz, a justiça parcial que estamos vendo no Brasil trará a polarização, o conflito, o atraso e a destruição de um futuro que valha a pena para nosso país.

3- Três Palavras.
Direcionamentos políticos elitistas.

4- Duas Palavras.
Investigações unilaterais.

5- Uma Palavra.
Parcialidade.

6- Uma Imagem.
/
(Adaptado de uma fonte da Internet.)
EdiVal
19/04/2015




quinta-feira, 9 de abril de 2015

Pelo Fim de Toda Pompa!

Poder, Autoridade e Serviço Público.

A posse de poder, de riqueza, de um cargo – as vezes de um passado abastado que não se deixou para trás – parece ser a senha para o egoísmo e a corrupção.

A autoridade não se possui, e sim se estabelece entre duas ou mais pessoas; pode acontecer naturalmente ou depois de um embate de forças. Não existe autoridade sem aceitação – as vezes conquistada, as vezes covarde.

Seja como for, em regra seus detentores se utilizam da mesma como um equivalente a título da nobreza e chave que tudo abre – quem sabe, trator que abre caminhos e atalhos à força.

A Pompa.

Pompa implica orgulho, luxo, ostentação; é deslumbramento, desejo de glória e amor ao suntuoso.

Às vezes, seus adeptos se utilizam do espetáculo cheio de cores; o poder e o orgulho, sempre, seus amores.

É claramente um meio de afirmação e de fascinação sobre dominados, além de regra de etiqueta necessária para a aceitação entre outros "iguais".
Deste modo, ela altera as verdadeiras relações, pois coloca um humano distante dos outros, como se aquele ascendesse a um patamar mais elevado – tal qual trono ou altar –, exatamente o que é buscado pelos que a vestem.

É uma técnica de HIPNOSE VISUAL.

Talvez tenha tido sua utilidade na História da humanidade, mas não cabe nos dias atuais.


O Resultado.

Egos inflados, vestidos de TOGA real – sedutora para si próprio e hipnotizante para as massas.

Psicologicamente, o povo se deixa dominar por um "estigma da fascinação", que aceita e, até, reverencia uma suposta casta superior que habita o palácio da realeza; já os que ascenderam ao Olimpo e vestiram a toga se deixam dominar pelo poder que auferiram.

Assim se forma um povo fascinado pelo brilho palaciano, e uns poucos humanos que se sentem elevados a outro patamar, o crème de la crème dos filhos da terra, merecedores de todos os privilégios e reverências.
Muitos deles acabam construindo – a um nível subconsciente – uma excessiva e deturbada noção de auto-importância, acreditando-se realmente especiais e incorporando esta nova auto-imagem ao seu modus operandi.
É do conhecimento popular que se tornar rico e poderoso é passaporte para as facilidades ofertadas por legiões de puxa-sacos, por assediadores com interesses escusos, e por pares ao reconhecer um "igual".

Os togados se apropriam, estimulam e se sentem bem com a autoridade "superior" obtida através do poder (um grande e doce amor) e buscam demonstrar uma altivez que não lhes pertencem; o ar de orgulho e soberba por se acharem acima dos reles mortais resplandece em um indisfarçável olhar de lânguida indiferença, mas pelos buracos de suas ricas vestes escapa a frívola superficialidade.

Exemplo de arrogância e preconceito  – expresso na fala e no olhar – encontrados em "autoridades" desde que o mundo é mundo.
Eles – os famosos poderosos e abastados deslumbrados – se acham uns aos outros na high society e círculos de poder, se reconhecendo como iguais, apoiando um ao outro para que juntos construam muros e, cada vez mais, se distanciem das "gentes diferenciadas" (Brasil, 2014).

As "castas superiores" se amam e se protegem!

(Um segredo: eles tem medo do povo!).

Brasil.

Assim, neste país reinam os pomposos maquiavélicos desde sua descoberta:
  • Um juiz manda prender a agente que rebocou seu carro; outro perde o voo e manda prender funcionários da empresa aérea;
  • Um formado elitoso grita "SOU ARQUITETA!!!!" para o policial que a parou no trânsito;
  • O pastor que abusa da ignorância de seus fiéis, achando-se, ele próprio, acima do bem e do mal, auto-investido e aceito pelos crentes na condição de "canal particular de Deus";
  • E o caso do juiz que processou o porteiro para que este fosse obrigado a chamá-lo de doutor? Não, ele não tem o título de doutorado;
Policial espirra spray de pimento em criança em protesto de desabrigados da chuva (Niterói, 2011). 
Uma farda, e já tem tapa no "neguinho da periferia"; e ai de quem enfrentar: periga não acordar!
Mas uma farda é peixe pequeno na hierarquia dos egos togados –  lembremo-nos, pois, da pomposa arquiteta!

E mais um milhão de exemplos reportados, dentro de um universo infinitamente maior que não vieram, não vem e nem virão a público, a todo tempo, em todo lugar – sempre com pessoas (desprovidas de toda pompa) humilhadas, injustiçadas, feridas – e cada vez mais perdidas em sua própria "pequenez".

Neste País, quem tem não tem nem título nem diploma,  mas possui poder e/ou dinheiro, é "coroné", ou até vira "dotô" na boca dos lacaios lambe-botas – quase uma autoridade!

O perigo é se acharem realmente superiores.

E o ego togado quer sempre mais poder e riqueza; nada o satisfaz, não existem limites. Deseja viver em meio à pompa e ao luxo – haja vista a corrupção milionária insaciável e a construção de palácios suntuosos com o dinheiro público para que reinem os governantes, juízes e legisladores.
Enquanto o judiciário se preocupa em construir prédios majestosos, os processos se acumulam, como é sabido.

A Solução.

Diante deste quadro, só há uma solução:

Que nos desvencilhemos de toda pompa!

Pelo fim dos doutores reverenciais, excelências insaciáveis e santidades hierárquicas;
Pelo fim das togas, coroas e títulos excelentíssimos;
Pelo fim dos privilégios, dos carteiraços, do "você sabe com quem está falando?".

Que seja condição sine-qua-non o primor pela eficiência e a austeridade, pelo foco no bem-estar da população,  pela responsabilidade com os poderes outorgados e desejo incessante de que avancemos como povo e nação.

Que todos sejamos iguais em humanidade. Olho no olho, à mesmo altura – independente do cargo, da riqueza e do poder. Que se obtenha qualquer autoridade somente pela via do respeito e do exemplo.

E que ela venha para servir!

É Esta Uma Utopia?

Pode imaginar, caro leitor, como seria um mundo sem a elite dos pomposos togados? Difícil até de formular cenários e referências, não é mesmo?

Mas sim, existem exemplos! Veja os políticos e juízes da Suécia (g1.globo.com), que "ganham pouco, andam de ônibus, cozinham sua própria comida, lavam e passam suas roupas e são tratados por "você"".


Conclusões Que Se Podem Tirar.

Em um olhar justo, no serviço público – políticos, juízes e presidentes inclusos – ninguém deveria se considerar dono de nada; ao contrário, deveria se enxergar em um sacerdócio com uma missão nobre e com enormes responsabilidades – investido de algo maior que eles próprios.

A verdadeira autoridade – desde aquela necessária para a criação dos filhos – se constrói com respeito, igualdade e justiça. Ninguém tem o direito de olhar outrem "de cima". Há que haver o olho-no-olho em atitudes multilaterais de igualitária simplicidade.

A força da lei deveria ser maior ainda para os que se utilizam do poder adquirido  para corromper a investidura de sua posição, pois além de corruptos, são covardes.

Mas cuidado! O poder pomposo, dependendo do nível de patologia, fará de tudo para manter sua realeza – até matar milhões, se preciso for.

Acredito que esta utopia para os dias atuais será a norma em um futuro nem tão distante assim.
Por enquanto, lutemos por mais Democracia, igualdade, acesso, transparência, responsabilidade com a coisa pública, amor ao Brasil e respeito para com todos os cidadãos da Terra.

E tudo isso passa, inexoravelmente:

Pelo fim de toda pompa e seu mundo de egos togados!

EdiVal
09/04/2015

P.S.: Este texto é um elogio à elegância pacificadora da simplicidade nas relações humanas.

domingo, 5 de abril de 2015

Nem Uma Criança Com Fome!

Nem uma criança passando fome.
Nem um ser humano deixado para morrer na porta do hospital por ser pobre.
Nem um cidadão brasileiro preso às correntes da miséria.

São estas pautas que valem toda a pena lutar, pois nenhum outro tipo de Brasil pode ser considerado.

Não, não é possível imaginar-se vivendo em um país que permita tais fatos desumanos por uma crença de que que a vida se resume ao capital, que o que vale é a lei do mais forte, da "meritocracia", e da "seleção natural", deixando o direito ao pleno desenvolvimento dos seus entregues a um reles evento de sorte que é o nascer ou não em família abastada e sã.


Também é sórdida uma sociedade em que pessoas repletas de potenciais tenham que gastar todo o tempo e energia de uma vida para a sobrevivência pura e simples, vendendo a força de seus músculos e sua dignidade em subempregos, enquanto poderiam estar crescendo em escolas e instituições onde construiriam a capacidade de ser dezenas de vezes mais produtivas para si, para a sociedade e para o país – se assim desejarem.

É a escravidão disfarçada na forma do trabalho extenuante e mal remunerado e imposta de cima para baixo; ali não há futuro – apenas pequena sobrevivência.

Nenhuma ideologia ou sistema político/econômico estará correto se admitir tais condições.
A História nos mostra a face mais dura deste modo de pensar em milhões de cadáveres e bilhões de seres humanos sequelados física e psicologicamente, encarcerados na prisão de sua própria miséria.

Não, não se pode considerar tal admissão!
É o holocausto diluído no tempo de uma vida, é o sangue dos pobres sobre a terra.
Vale a pena lutar um mundo sem tais feridas!

Não concorda, acredita ou interessa?
Então lhe darei um tempinho vivendo a vida destes, dentro da experiência da dor que desdenha – e aí voltarei a lhe questionar.
Viver o que sente o outro não é opinião: é vivência transformadora!
Se eu pudesse... daria ao opositor a experiência da dor que, superficialmente, desmerece.

As experiências que acredito como naturais na sociedade em que vivo devem sobreviver à ideia de um filho meu sendo colocado para vivê-las também.
Não somos máquinas, e viemos ao mundo para sermos felizes.

TODOS!

O Brasil já viveu a fome intensamente (Betinho era nossa consciência); já produziu incontáveis flagelados da seca (3,5 milhões de mortos só na seca de 1979-84).
Hoje a realidade do País é outra, pois os eventos onde miseráveis em massa protagonizam cenas deprimentes não existem mais.

Contudo, a construção de uma sociedade verdadeiramente justa passa pela proteção individual e localizada dos cidadãos, pois, como foi exposto, nada menos que:

  • nem uma criança passando fome;
  • nem uma mazela sem cuidados;
  • nem uma mente brilhante sem ter um caminho possível para sua plena expressão.

Por isso devemos todos lutar por um país e um mundo de justiça social, de riqueza compartilhada (pelo menos ao nível das necessidades básicas), da Educação de qualidade para todos e de uma economia inclusiva e sustentável.

Veja: se for um direito daquele que, agora, se enquadra, também será um direito seu, no sentido que, se no futuro por acaso a vida for dura com você e também vier a necessitar, poderá usufruir das proteções em vigência, obtendo o mínimo para sobreviver. Você e os seus.

Se é um direito de todos, porque o ódio?

Não, não sou a favor de igualdades forçadas, de padronizações, de explorações de quem produz.
Sim, sou a favor de se conquistar sonhos; de enriquecer e ser livre, de poder viver a vida que escolher. Também de respeitar isso quando se trata do próximo.

Mas não, não posso admitir um país que permita uma – UMA SÓ – criança sendo violentada em suas necessidades básicas e não recebendo o investimento necessário para se desenvolver plenamente, ou a dor da indiferença de um pai diante do recurso financeiro inexistente na hora da necessidade urgente.

Se quisermos, poderemos eliminar estas realidades sem que este ato impeça ou violente qualquer ideologia, direito ou liberdade.
É apenas uma concessão para não perder o que nos torna humanos!

Meritocracia? Não para justificar a desumanidade!

Isto não quer dizer, adversamente, que devemos ser condescendentes com comodismos e parasitismos. A máquina deve ser ajustada para evitar tanto quanto possível algo assim e, sapientemente, saber que casos pontuais irão acontecer – e que devem ser punidos apenas deste modo: individualmente.

O Estado do capitalismo selvagem ou de caráter ditatorial permitem casos terríveis de desumanidade – mas não só! A corrupção, a sonegação, a ineficiência pública e os impostos mal aplicados também são hediondos, pois propiciam estas realidades.

Não nos permitamos viver num lugar assim, onde no cenário que nos é apresentado jaz a miséria humana, a tristeza da dor de ser esquecido, a condescendência para com um mundo vil.

Esquerda e direita, conservadores e libertários: sua ideologia não deve nem precisa permitir tal mundo!

Ter o mínimo para uma vida digna é direito humano, individual e coletivo.
Aquele que deseja mais, vai lutar para progredir, desenvolver seus talentos, empreender entusiasticamente, trabalhar duro (hard work)!.

Por isso é tão importante a Justiça Social e o amparo, sem preconceito e ódio.
Sua ideologia sobrevive à esta concessão, pode acreditar!

A vida é curta, mas aquilo para o qual você cedeu sua energia e sua vontade, o modo como viveu e aquilo que estimulou, ressoa na eternidade.

Não admitamos uma sociedade desumana, pois este é o único mundo em que vale a pena viver!

Abençoado o país em que o "menor" dos seus cidadãos – tal qual a "filha da empregada" – tenha a possibilidade real de alcançar tudo aquilo que deseja e tem potencial para ser, e não passe pela dor de ser abandonado e condenado a nascer, viver e morrer uma vida preso bem rente ao chão pelas correntes pesadas da miséria e da ignorância.

Não ao buraco negro do abandono!

Nem uma criança passando fome!
Nem um ser humano deixado para morrer por ser pobre!
Nem uma pessoa presa às correntes pesadas da miséria e da ignorância!


O oposto do amor não é o ódio, mas a indiferença” ―Érico Veríssimo


EdiVal
05/04/2015


sexta-feira, 3 de abril de 2015

Espectros Políticos "Avançados": Mudança de Paradigmas para os Novos Tempos.

Como humanos, inventamos sistemas e ideologias para construir nossas sociedades.
Neste sentido conhecemos, ao menos em um nível intuitivo, as linhas gerais dos velhos espectros ideológicos "rivais" conhecidos como Esquerda / Direita; o Centrismo seria um meio termo destes dois; já o Liberalismo pode caminhar tanto para a Esquerda como para a Direita e privilegiam o discurso da liberdade e da igualdade de direitos e deveres, e o Estatismo defende o controle da sociedade pelo Estado.


Imagem obtida em: https://jeffersondealmeida.com.br/como-os-paradigmas-determinam-nossos-resultados/

Independentemente do que cada um destes sistemas pregam e do que desejam seus defensores – seja para a economia, a função do Estado e os direitos e deveres da população (suas liberdades) – existem novas e urgentes matérias que o mundo moderno proporciona, exercendo forte pressão no sentido de serem incluídas como importantes pautas comuns.

(Vamos excluir desta discussão os ultra-radicais de qualquer destes sistemas, onde a lógica e o bom senso nunca se fazem presentes).

O que, no mundo moderno, urge e nos mostra sua cara? O que se apresenta para nós de forma, às vezes, impositiva? Podemos listar, sinteticamente, 10 das mais importantes:
  1. Ecologia: a necessidade de se tornar o desenvolvimento sustentável a regra (e não a exceção) em função da própria sobrevivência da raça humana;
  2. Pressão Populacional: atinge o item 1 e o pressiona; o crescimento não pode ser infinito, pois a casa está se tornando pequena;
  3. Informação, Internet, Comunicação: O advento da Internet e da era da informação, revolucionando o modo de vida da terra; para logo, espera-se o surgimento de uma nova revolução: a Internet das coisas;
  4. Economia em Transformação: a diminuição progressiva do custo marginal, a robótica, e o inevitável surgimento de um novo modelo econômico;
  5. Ciência: a Tecnologia e a Inovação como base primordial do progresso de nossa sociedade;
  6. Globalização: elementos de uma cultura adentrando em outras, a universalização das trocas, e outras expressivas e complexas inter-relações;
  7. População e as Novas Demandas: a luta por mais liberdade, educação e acesso às riquezas, estimuladas pela democratização da informação e a capacidade de comunicação instantânea (e suas consequências: haja vista as manifestações pelo mundo todo planejadas online);
  8. Mundo em Transformação: a formação de uma nova hegemonia mundial em um mundo em cada vez mais aceleradas transformações.
  9. Sociedade do Conhecimento: Informação, educação, ciência, tecnologia e inovação – um caminho possível para a redenção da humanidade?
  10. Paz, Não-Violência: A eterna demanda por um mundo pacífico em contraposição à uma aparente predominância da belicosidade humana. Como construir um mundo sem conflitos violentos?
Estas são, indubitavelmente, velhas ou novas inescapáveis demandas. Nenhum governo sensato, hoje, pode fugir destas realidades totalmente inter-relacionadas que surgiram pela própria evolução/crescimento da sociedade humana e de sua Ciência.

Mas o que se vê como padrão? Retrógradas pautas em detrimento destas citadas,  que são sistematicamente colocadas em segundo plano travando, desta forma, o desenvolvimento humano e tecnológico correspondentes que com certeza levariam a novas descobertas ou rupturas – além de colocar em risco o futuro do planeta e, consequentemente, da sobrevivência da humanidade.

Há que se pôr, verdadeiramente, estas áreas em posição de destaque nas Políticas de Estado de todo Governo (e como pautas de uma oposição avançada), assumindo que o mundo mudou e que novas visões e ações são necessárias.

Ninguém em sã consciência no mundo atual pode negar que a Ciência e o conhecimento devem ser prioridade, ou ignorar que a Educação de alto nível garante o avanço das sociedades e de suas populações, que os povos que desfrutam de liberdades, estimulados pelo ambiente de Inovação e de uma economia justa, participam ativamente da construção de um progresso sustentado; também é inegável a premência de um paradigma ecológico norteando os rumos e decisões das pessoas e dos governos, sob pena capital à raça humana.

Assim, sugiro inaugurar aqui uma nova base filosófica para os espectros político/ideológicos se nortearem, construir seu discurso e olhar para o futuro, sintetizado por uma nova forma de se auto-denominar; neste sentido, acrescenta-se uma extensão na designação destes, caracterizados pelo adjetivo AVANÇADO, indicando que trazem fortemente estas pautas surgidas nesta era de intensas transformações e que, como regra, reverbarão no futuro de longo prazo.

Assim ficam denominadas segundo esta visão, por exemplo:
  • Esquerda  Esquerda Avançada;
  • Direita  Direita Avançada;
  • Centro ou Centrismo  Centro (ou Centrismo) Avançado;
  • Liberalismo ⇒ Liberalismo Avançado;
  • Estatismo ⇒ Estatismo Avançado.
A diferença, em um olhar mais profundo – além do simbolismo – seria a mudança de paradigmas assumida de cara, trazidas à evidência desde o primeiro olhar, e a partir daí direcionando toda base filosófica do espectro em particular. As cobranças, deste modo, seriam diretas – sem subterfúgios ou sofismas – pois subtende-se assumidos automaticamente como paradigmas partidários e Programas de Governo.

Um pequeno adjetivo que, se verdadeiramente assumido como objeto de ação, pode mudar o modo como a humanidade evolui – ou mesmo garantir a sobrevivência do planeta e de seus habitantes.

Estamos preparados para o próximo salto evolutivo da sociedade humana?

Mesmo sem adjetivos, que estas pautas saiam do segundo para o primeiro plano das esferas governamentais de todas as nações. A Política feita com este novo olhar (e com melhores – ou melhorados – políticos) será, indubitavelmente primordial nesta transformação renovadora.

Por um Brasil e Mundo "AVANÇADOS"!

EdiVal
03/04/2015




domingo, 22 de março de 2015

Quem Comeu as Criancinhas?

Dizia-se, nos tempos "dourados" da propaganda anti-comunista no Brasil, que os militantes desta ideologia comiam criancinhas.

Claro, o horror dos horrores de se imaginar. É como o "fogo do inferno que queima sete vezes mais" que muitas mães, piamente, nos faziam terror para que não pecássemos quando éramos crianças.

Bobagens sem tamanho que só percebemos quando aprendemos a pensar (alguns não, infelizmente). Onde existe a ignorância, reverbarão ideias esdrúxulas!

Mas houve sim, na história recente do Brasil, um banquete cujo ingrediente – se não como prato principal, como aperitivo – foram alguns pequeninos.


Apesar de todo interesse em esconder todos os fatos, algumas histórias vazam como lodo fétido – talvez como parte de um processo sofrido de purificação, pois tanto mal não cabe nas valas frias dos cemitérios clandestinos nem nos fornos amargos das usinas de açúcar (fatos históricos que vieram à tona)

A ditadura torturou crianças.

Algo odioso, horroroso, nauseante! Menos cruel teria sido se tivessem comido literalmente as células juvenis, pois o "abate" poderia, ao menos, ter sido rápido e indolor. Tanta dor e injustiça na tenra inocência condena a uma vida de pesadelo, dor e medo que nunca cessa!

Brasileiros todos:


Pior que comer a carne, eles comeram a alma destas crianças!

Não, não foram os "comunas" os atores desta atrocidade. Foram monstros fascista-totalitários travestidos de autoridade, fardados nas cores dos que deveriam defender os inocentes. Foram os militares!

Alguns casos são relatados abaixo (mas cuidado, ler sobre o assunto pode contaminar a alma e causar depressão). Pode-se ver mais no artigo do El País.
  • Obrigado a assistir, "o menino de dois anos dizia: 'Não pode bater no papai. Não pode'. E batiam. Libertado quase um mês depois, passou os primeiros anos com pavor de policiais de farda e grupos com mais de quatro pessoas. Entrava em pânico, escondia-se debaixo da cama ou dentro do armário, mordia quem se aproximava e urinava nas calças. Ernesto foi uma criança com pesadelos recorrentes. O mais comum era com um asno, uma corda e uma agulha. 'O asno usava um boné militar, a agulha tinha olhos arregalados e uma risada aguda sarcástica e corria atrás de mim, eu apavorado tentava fugir. O asno me cercava, me dava coices ou chutava coisas sobre mim. A corda parecia boazinha, disfarçada de linha se estendia até mim, mas quando eu a segurava ela  machucava minhas mãos e me deixava cair em um abismo'".
  • "...João Carlos Schmidt de Almeida Grabois, o Joca... Ele estava na barriga da mãe, Crimeia, quando ela levou choques elétricos, foi espancada em diversas partes do corpo e agredida a socos no rosto. Enquanto ela era assim brutalizada, os agentes da repressão ameaçavam sequestrar seu bebê tão logo nascesse. Quando os carcereiros pegavam as chaves para abrir a porta da cela e levar Crimeia à sala de tortura, o bebê começou a soluçar dentro da barriga. Joca nasceu na prisão e, anos depois, já crescido, quando ouvia o barulho de chaves, voltava a soluçar"... "Perto da hora do parto, em vez de levarem Crimeia para a enfermaria, a colocaram numa cela cheia de baratas. Como o líquido amniótico escorria pelas pernas, elas a atacavam em bandos. Isso durou quase um dia inteiro. Só no fim da tarde, com outros presos gritando junto com ela, a levaram para o hospital. O obstetra disse que, como não estava de plantão, só faria a cesariana no dia seguinte. Crimeia alertou que seu filho poderia morrer. O médico respondeu: 'É melhor! Um comunista a menos'".
  • "...Carlos Alexandre Azevedo, o Cacá, não suportou a lembrança. Talvez porque ele nunca pôde transformá-la em memória. Era nele algo vivo e sem palavras, um silêncio que não conseguia se dizer. E um silêncio que não consegue se dizer é um pavor. Ele tinha um ano e oito meses quando sua casa foi invadida por policiais do DOPS/SP, em janeiro de 1974. Como começou a chorar, os policiais deram-lhe um soco na boca que de imediato sangrou. Passou mais de 15 horas em poder da repressão, nas mãos de funcionários do Estado, enquanto lá fora gente demais vivia suas vidas fingindo que nada acontecia. Seus pais ouviram relatos de que nesse período o menino, pouco mais que um bebê, teria levado choques elétricos. Cacá se matou aos 40 anos, em 2013".
Todos que pedem novo golpe ou apoiam a ditadura assumem parte do carma de torturadores de bebês, pois sabem muito bem o que estão fazendo. Não existem inocentes nesta era da informação. Toda militância baseada no "não quero saber", é corrupção pessoal diante da quebra de todos os limites humanos que jaz no ato de torturar crianças.

Assista ao documentário "As Crianças e a Tortura", da Rede Record:


Ótimo artigo da UOL.

Leia o livro "A Infância Roubada", da Comissão da Verdade":


Baixar:  1ªPARTE   -   2ªPARTE   -  3ªPARTE
"Quando escuto brasileiros fazendo manifestação pela volta da ditadura, penso que eles não podem saber o que estão dizendo. Quem sabe, não diz". (Eliane Brum).
Se eu pudesse, daria a estas pessoas um pouco da dor que, cruel e levianamente, acham justificável: um tempinho de aprendizado intensivo!
Imagino que os traumas e ensinamentos obtidos através dessa dor vivida seriam tantos, em tão didática aula, que muitos se encolheriam como bebês no ventre da mãe para chorar compulsivamente, e nunca mais profeririam tantas insanidades.

Nunca mais tentariam ressuscitar monstros odiosos.

"Para que não se esqueça. Para que nunca mais aconteça". 
(Dom Paulo Evaristo Arns)

EdiVal
22/03/2015

segunda-feira, 16 de março de 2015

Brasil e o Remédio da Dor Desdenhada

Se eu pudesse... daria a certos brasileiros:

Uma semana de fome,
Um minuto de agressão injustificada,
Meia hora no pau de arara.

Um ano sem poder se expressar livremente,
Uma ou duas eleições sem o direito do voto,
A sensação advinda de um minuto de dor e humilhação infligidas – a si mesmo ou a um ente querido – por monstros travestidos de autoridade.


Daria, como necessário remédio amargo:

Uma sequência constante e infindável de perdas das liberdades e de direitos conquistados,
Um silencioso e secular abandono dos governos enquanto as misérias da vida consomem a si e aos seus,
A dor de não poder alimentar a quem ama.

Assim, entenderiam pela via da realidade sentida:
  • A importância de um país sem fome,
  • A monstruosidade dilacerante da tortura e da ditadura,
  • A experiência libertadora que é poder se expressar livremente em uma Democracia.
Ah, se eu pudesse...
Daria a essas pessoas exatamente o que elas pedem!
Ou o que acreditam, levianamente, ser o melhor em um país imaginado por elas.

Porque o melhor remédio e escola,
É viver a realidade do que, sem pensar, se clama,
Ou sentir a dor do outro que se desdenha!


EdiVal
16/03/2014

sábado, 14 de março de 2015

A Política da TERRA ARRASADA no Brasil de Hoje e do Passado: Destruindo para Conquistar

Muitas vezes, durante os conflitos que vemos na sangrenta história da humanidade, foi utilizada uma técnica altamente destrutiva e poderosa, denominada "TERRA ARRASADA".

Quando se vale do método, um exército ou população pode, por exemplo, recuar diante de um ataque que não podem combater diretamente, levando junto o que conseguem, queimando os alimentos e casas que ficam para trás, envenenando a água e destruindo o que mais poderia ser aproveitado; enfim, tornando insustentável a utilização dos recursos da localidade pelos que vem em seu encalço.

O resultado final é o enfraquecimento do inimigo, mas com o ônus de ter sua própria terra devastada. É a técnica derradeira, o "vencer a  todo custo", a mais legítima vitória de Pirro.



Já neste grande país chamado Brasil, talvez não tenha existido ou se vê a guerra como é contada pelos livros de história; existe, na verdade, um conflito velado e covarde onde tudo vale para desestabilizar o governo, a economia e a confiança, com o intuito claro (mas não declarado) de (re)tomar o poder.

É a política da TERRA ARRASADA no front brasuca, onde o agressor é quem, invertendo as peças do tabuleiro, intencionalmente arrasa o país, visando o queda do Governo ou o poder que não conseguiu obter pelas vias democráticas. É uma massiva técnica de guerrilha onde seus comandantes se escondem (e se mostram) nas brechas obscuras da lei, embaixo de uma justiça falha, da ignorância das pessoas e na desinformação e manipulação de uma mídia, ela mesma, guerrilheira, interessada apenas em lucrar e na manutenção de um poder concentrado. Haja vista seu histórico – e de muitos outros poderosos (pessoas e instituições) – de envolvimento e crescimento dentro dos golpes ocorridos no passado.
Se houvesse justiça perfeita no Brasil, estes estariam atrás das grades, e seu dinheiro corrupto e manchado com sangue de inocentes seria "repatriado".

Só pensam, absolutamente, em si e em seu lucro vil, e cujos desastrosos resultados de suas ações maléficas são imputados, tanto quanto possível, ao ente que é atacado e também ao povo – o terceiro elemento e vítima manipulada (e nem sempre inocente) desta equação perversa.

Buscam todo ponto fraco, aumentam, fazem lavagens cerebrais com técnicas maciças de propaganda, desinformação e dissimulação, e se utilizam de métodos deploráveis, atacando e recuando das sombras, minando as forças e a popularidade dos que querem derrubar. Destruição de reputações é uma de suas especialidades.

Se valem da ignorância da população e das seduções corruptivas de uma possível tomada de poder.
Jogam com o medo e o ódio, valendo-se de inimigos reais ou criando imaginários: o Comunismo, o Terrorismo, o ódio entre classes ou crenças, ou o medo da mudança (metatesiofobia) e do novo (neofobia) que quase todos os povos possuem em alto grau.

Dividem para conquistar!

Verifica-se, quando se lança um olhar para a História do Brasil, que neste jogo covarde ocorrem combinações poderosas de forças: políticas, midiáticas, econômicas, sociais, exógenas, corporativistas e militares. Seus componentes eram e são, em sua maioria, conservadores, anti-minorias, anti-distribuição de renda/bem estar social, corporativistas, "cristãos" e repressores. Flertavam e flertam com o fascismo e o militarismo, muitas vezes totalitário.

Foi assim com Getúlio Vargas  o "pai dos pobres". Como hoje, em sua época também a imprensa construía um clima de medo e uma imagem de corrupção generalizada na forma de "um mar de lama" – imputado hipocritamente ao outro, claro.
Havia a indisposição do Congresso, dos meios de comunicação e das Forças Armadas, além de uma classe média raivosa com o aumento dos direitos trabalhistas que Getúlio promoveu.

Nesta época, havia um comandante: Carlos Lacerda. Duro, manipulador, militarista e sedento por poder. Dizia – valendo-se da mídia que direcionava, mandava e desmandava – que Vargas era um "bandido corrupto que comandava uma quadrilha”. Quem está tendo um Déjà vu?

A derrota de uma tentativa de IMPEACHMENT mostrou aos inimigos de Getúlio que medidas legais não surtiriam efeitos, donde restava o MASSACRE DETERMINADO À FIGURA DO PRESIDENTE; deste modo, nas semanas que antecederiam o suicídio de Vargas (agosto de 1954), houve uma intensificação dos ataques de Lacerda contra todos próximos do presidente  de aliados a parentes, e até mesmo quem era neutro na UDN, seu partido.
Neste clima criado, os militares exigiam a RENÚNCIA do presidente, a população estava confusa e crescia a tensão e a indisposição como resultado da campanha de difamação. Curiosamente, a criação da PETROBRÁS também alimentou este clima, pois contrariava o setor empresarial.

Era um ataque diário, massivo e coordenado, visando criar as condições para a deposição.

E assim, diante de tal situação e clima de GOLPE, só restou a Getúlio "sair da vida para entrar na história". Com o suicídio, a população se enfureceu e forçou a recuada destas forças desestruturantes e evitou o golpe por 10 ANOS!

Vale a pena aqui transcrever o discurso de Tancredo Neves que disserta sobre  tais forças (DELGADO, 2001):
Um partido conservador e anti-trabalhista, por duas vezes derrotado em eleições democráticas em cujas fileiras – é preciso reconhecer – existem também verdadeiros patriotas iludidos na certeza de que servem aos seus verdadeiros ideais e não a interesses antinacionais – eis o elemento de fachada e a brigada de choque da grande conjura. Uma imprensa conservadora também ligada aos interesses dos grandes capitais nacionais e, por conseguinte, amalgamada no ódio a Getúlio Vargas e ao seu programa de governo, eis a máquina de agitação da opinião pública e de infiltração no seio das Forças Armadas, através do ludibrio das boas intenções de oficiais dignos e bem intencionados, mas, ao mesmo tempo, suscetíveis a uma determinada propaganda, por isso mesmo que saídos das classes mais abastadas. Por detrás de tudo isso e acima de tudo isso agia um grupo de notórios representantes do capital estrangeiro, de ricaços interessados em salvaguardar as suas gordas fontes de lucros em divisas. Por serem sabidamente ligados aos dinheiros estrangeiros, souberam manter-se no mais completo anonimato, arquitetando um plano cientificamente traçado de destruição do governo Vargas e velando pela sua execução nos mínimos detalhes. Esses foram os verdadeiros autores da conspiração e os primeiros responsáveis pela morte de Vargas (...) Esses tristes inconfidentes da traição e da morte tinham nas mãos todos os cordões que movimentaram os títeres da implacável conspiração (...) No que toca às Forças Armadas, cumpre ressaltar que o ato de indisciplina e deslealdade ao seu Chefe Supremo a que foram levadas pela ação desagregadora de alguns líderes ambiciosos é, em grande parte, devido à ação de um grupo de oficiais da Escola Superior de Guerra.
Depois do suicídio de Getúlio Vargas, o vice-presidente Café Filho assumiu a presidência e Juscelino Kubitschek se candidatou à presidência da República, com João Goulart candidato à vice, fato este que trouxe, novamente, forte oposição de forças conservadoras, de alguns chefes militares e da União Democrática Nacional (UDN) liderado sempre por Lacerda que, por exemplo, publicou em seu jornal "A Tribuna da Imprensa" a "Carta Brandi": falsa, forjada para servir de base ao planejado GOLPE DE ESTADO contra as eleições, o que ficou provado posteriormente.

Foi intensa e feroz a sequência de eventos liderada por Lacerda para conseguir a quebra da
legalidade. A Imprensa – quase na totalidade conservadora – fazia o mesmo jogo.

Neste ínterim, Café Filho ainda encetou uma tentativa de GOLPE DE ESTADO com apoio de parte de tais forças políticas. O discurso anticomunista era utilizado de forma obsessiva para os ataques à dupla JK-Jango recheados de pedidos de INTERVENÇÃO MILITAR, Contudo, apesar de todas estas tentativas de quebra da legalidade, as eleições acabaram sendo realizadas e eles foram eleitos, como tanto temiam os conservadores.
Ainda tivemos episódios como a tentativa de outro golpe, debelado com um contragolpe, e instalação de um estado de sítio por 30 dias para garantir a posse.
A habilidade política e de conciliação de JK conseguiram garantir a governabilidade, cuja história conhecemos bem.

A História seguiu seu curso, e esta tendência "anti-Getuliana" retornou forte quando assumiu o poder João Goulart em setembro de 1961, com a renúncia de Jânio Quadros. Como Jango era identificado como "esquerdista" e falava de "reformas estruturantes" (como a reforma agrária) o discurso anti-comunista se assomou, acionando uma avalanche de acontecimentos que culminaram com o GOLPE MILITAR.

(Em tempo: a pecha de comunista (comedores de criancinhas) que tentavam colar em João Goulart era um absurdo! Ele era um fazendeiro interessado em melhorar as terríveis condições sociais do Brasil à época, apenas isso. Um pouco de estudo – com espírito desarmado – da história do período pode mostrar este fato facilmente.)

Para que o texto não se alongue demais, não detalharei aqui  como fiz anteriormente – os acontecimentos deste período que feriram a legalidade e atrasaram o país por 50 anos; os ataques foram de uma magnitude tal que não seria possível descreve-los em poucos parágrafos, mesmo de forma resumida.

Charge da época de Carlos Lacerda, "O Corvo".
Enfim, cheguei ao ponto desejado: não se pode perceber, neste contexto cronológico, que nesta época da História do Brasil o cenário era muito parecido com o atual?

Quem você identificaria com Getúlio e Jango? E com o O Corvo (Carlos Lacerda)?
Em tempo: Carlos Lacerda apoiou intensamente o golpe, para depois ser traído pelos militares.

O que se deve ficar registrar do "período democrático" 1946-1964 é até que ponto as forças conservadoras, com o apoio da mídia, podem chegar para manipular os destinos do país, não se importando com o caos e atrasos que venham a causar, valendo-se sem pudores de uma política de Terra Arrasada.

Relembremos a Copa do Mundo de 2014: Houve uma campanha vil que conseguiu montar um cenário sombrio que nem mesmo a mais criativa mente poderia imaginar, carregadas de rios de contraposições, vaticínios gigantescamente catastróficos e vergonhas indescritíveis que não se concretizaram (menos um inimaginável: o 7 X 1 germânico). Alguém pode refutar este fato?

Esta realidade vista na Copa, tão intensamente vivida por todos nós, não pode nos contar uma miríade de coisas sobre o momento atual e passado deste País? Não se faz uma prova contundente de que existe uma força destrutiva, manipuladora e egoísta agindo?

Veja que contrassenso: até mesmo MARADONA (olha o destaque!) foi capaz de nos enxergar melhor do que nós próprios, ao comentar como ficou assustado e receoso de viajar ao Brasil devido à campanha de descrédito do Brasil na mídia nacional (contaminando até mesmo o exterior):

– "O que se pintava é que seria um caos. Parecia que teríamos de comprar uma arma ao desembarcar por aqui, mas não foi nada disso".

Se necessitamos de Maradona para explicitar a realidade e dizer que “o Brasil não é assim como vocês próprios, brasileiros, tentam a todo custo fazer acreditar” deve ter algo muito errado neste país... quem há de negar?

Novamente vivemos o clima de golpe, intervenção, e um país parado por crises políticas e tentativas de fuga da legalidade. O comunismo é um ente morto, e mesmo assim ressuscitam-no como fantasma assustador. Falam novamente de um "mar de lama" como se fosse algo fora deles – uma hipocrisia sem medidas, e cada brasileiro sabe disso!

Precisamos perceber a necessidade de paz e continuidade democrática para que o país cresça, não só economicamente, mas também como povo e como Democracia.
Precisamos banir da esfera governamental quem traz o movimento hediondo da "Terra Arrasada"; precisamos, por vias democráticas, enfraquecer a voz dos manipuladores da opinião pública e destruidores de reputações, como vimos acontecer em matérias "jornalísticas" criminosamente falsas ou manipuladas, que desvirtuaram nada mais nada menos que os destinos de nosso país, que tanto amamos.

Precisamos trazer e levar a legalidade e a Democracia acima de qualquer partidarismo. Precisamos jogar apenas o jogo democrático. Precisamos que o fluxo dos acontecimentos siga a energia das regras e leis constitucionais que, se precisam ser mudadas, se façam sem violência e através de um crescer das pessoas e da nação.

E que não cometam a MONSTRUOSIDADE de enfraquecer a nação para conquistá-la.

É o Brasil que arrasam, é o povo que prejudicam, sem se importar com nada!

Vamos continuar permitindo isso?

EdiVal
14/03/2014

Adicional: animação Chicken Little (1943), produzido antes da guerra fria, o que indica que deve se tratar de uma crítica-alerta sobre o fascismo, ou a toda boataria promotora da "TERRA ARRASADA".




terça-feira, 10 de março de 2015

Je Suis Democracy!

Querem matar o voto,
Queimar a urna,
Voltar no tempo.

Põe-se a ressuscitar fantasmas,
Recriar antigos monstros,
Forçar seu mundo.

Desejam que prevaleça sua visão,
Faça-se o que se fizer,
Custe o que custar.

Encontraram, novamente, brechas para o que é hediondo:
O degolamento da Democracia,
Toda cólera, ódio e ditadura!

Não se importam de empunhar a arma da "terra arrasada".
De nos fazer caminhar em direção a um paredão!

As pessoas INdiferenciadas são os novos infiéis!



Je suis Democracy


EdiVal
10/03/2014