domingo, 12 de outubro de 2014

Onde está o champanhe para brindarmos com Betinho?

O Brasil da memória curta e insensibilidade aflorada não se deu conta, mas um dos dias mais relevantes de sua história acaba de acontecer:

16 de setembro de 2014.

Neste dia de extrema importância para a Paz e a Justiça, um relatório da Organização das Nações Unidas coloca o Brasil fora do Mapa da Fome pela primeira vez em sua existência!

Quem há de negar ser este um dia histórico para o País?




Um marco humano desta magnitude deveria estar sendo impresso no rol das mais significativas datas comemorativas brasileiras!

Mas não houve alarde, não houve festa.
Muito provavelmente, o ódio de classes em clima de eleição presidencial não permitiu, mesquinho que se revelou.

Não percamos a humanidade; não percamos a noção do que é importante na vida, na sociedade, no mundo.

O que houve conosco, o que houve com o Brasil?

ONDE ESTÃO OS FOGOS?

Se é assim...
Então celebremos nós, festejemos sozinhos, cantemos solitários!
Estouremos um champagne felizes e orgulhosos!
E chamemos Betinho, e também Josué de Castro e Dom Hélder Câmara – os paladinos da luta contra a fome no Brasil – para brindar conosco.

Para quem não sabe, ou não se lembra, Herbert de Souza – o Betinho – nos deixou em 1997. Sociólogo e ativista dos direitos humanos, passou um longo período exilado pelo regime militar. Retornou ao país em 1979, quando fundou o Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase). Em 1993 criou seu projeto de maior expressão: "Ação da Cidadania Contra a Fome, a Miséria e pela Vida", que trabalhava a favor dos pobres, excluídos e famintos.

Betinho e um dos seus pensamentos.
(Imagem da Internet, gostaria de identificar o autor para os créditos)

A fome sempre foi uma grande mazela e  motivo de vergonha em um país rico como o nosso.

Por isso, Betinho se moveu em defesa dos famintos e despontou em sua luta.
Sua imagem de extrema magreza – como se a própria fome morasse dentro dele – não saia das telas (de tubo) da TV, e agora faz parte do imaginário coletivo do povo brasileiro.
Pergunte para quem tem mais de 30 anos "– quem era Betinho?".
Faça isso, de verdade!

Ressuscite um pai da Pátria e dos pobres, esquecido no momento que deveria estar sendo homenageado por todos os poderes e cidadãos brasileiros.

Ele formou, juntamente com Josué de Castro e Dom Hélder Câmara, o trio de cavaleiros "anti-apocalípticos" que chamaram a atenção do país sobre a fome e miséria, colocando-as em evidência, lutando intensamente para que fizessem parte das políticas públicas.

Se estivesse vivo, provavelmente teria participado de perto do programa "Fome Zero" – o programa de maior sucesso no mundo na mitigação da fome aguda.

Prova contundente é o Nordeste, que está em seu terceiro ano de seca consecutiva e mesmo assim não se houve mais falar dos "flagelados da seca" – outro termo que permeou as telinhas do Brasil das décadas passadas.

Choque de realidade: na seca de 1979 / 1984, dados da Sudene mostram que morreram inacreditáveis 3,5 milhões de pessoas, especialmente crianças!

Estes fatos mostram que uma revolução aconteceu. É uma tecnologia brasileira que se espalha pelo mundo, com motivo de orgulho e alegria. Entre tanto belicismo, tantos conflitos, é nosso país que dá um dos mais belos exemplos de todos os tempos!

Viva Betinho, nosso Dom Quixote de la Mancha! – Ou melhor "ex-mancha", porque o país saiu do mapa da fome, mais límpido e rico.

E se esta mazela rondar novamente nossos irmãos, encarnemos os "3 cavaleiros da nutrição" para não permitir tal barbaridade – contradição das contradições em um país pleno de fartura e riquezas.

Tenhamos sempre em mente que cada pessoa do mundo que sofra fome nos torna menos humanos, menos merecedores de graça e de paz.

Não nos percamos em nosso pequeno mundo fastio!

Pegue uma taça e brinde conosco também!

E você, tem fome de quê?

“O desenvolvimento humano só existirá se a sociedade civil afirmar cinco pontos fundamentais: igualdade, diversidade, participação, solidariedade e liberdade” 

(Herbert José de Souza - o Betinho).
EdiVal
12/10/2014

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