domingo, 19 de abril de 2015

Desaprendendo a Odiar e Aprendendo a Desodiar

Ódio é desespero, amor é pacificação.

Apesar disso, odeia-se muito neste mundo.
É uma emoção particularmente presente na raça humana, não há como se ter dúvidas.

Há seres que odeiam tudo: odeiam quem não odeia o mesmo ódio e amam quem odeia igual; odeiam como esporte, amam odiar.

Famílias, religiões, seitas e sociedades – todos tem seus objetos de ódio, como por exemplo: uma outra classe de mesma categoria, uma personalidade histórica, um ser mítico, uma crença contrária (ou qualquer crença que não a sua, a depender do grau de fanatismo).
Pior: podem odiar membros íntegros da MESMA denominação ou sociedade por condições, posições ou condutas que não gostam ou concordam!
Em um "certo País", além dos diversos preconceitos irracionais seculares, como os relacionados à opção sexual, credo e cor, vê-se o crescer o ódio de classes e de posicionamento político; impossível não citar também o ódio estimulado por algumas seitas evangélicas.

Assim, nesta escalada, torna-se o homem – como indivíduo e raça – o seu próprio e maior predador!

Com o tempo, de tanto refastelarmo-nos com a conflagração, felizmente tornamo-nos fartos, pois o ódio consome, desagrega e destrói também quem o porta. Assim, nos sentimos, um dia, cansados de tanto odiar, desejosos de retirar este peso vil de nosso peito.
Mas o que nos espera não é fácil! O ódio que acalentamos e alimentamos durante tanto tempo se configura, muitas vezes, tal qual droga pesada, maldição secular, avassaladora pressão mesológica ou egrégora pegajosa.

Constatação:
Tentar o não-ódio é escolher o caminho do contrafluxo, onde até os seus entes amados podem se voltar contra você, odiando-o!

Então, como escapar das espirais virulentas de ódio?  Quero aqui discorrer um pouco sobre esta questão e mostrar que: sim, é possível abandonar posições odiosas!

O desaprender a odiar e o aprender a "desodiar" que pretendo expor são dois entes semelhantes do mesmo sistema; tem direções diferentes, mas são totalmente complementares – repousam na mesma linha como os dois sentidos de um vetor.
O primeiro é – tomando emprestados alguns conceitos da Física – fazer desacelerar a ira até tornar estático o crescimento do "vetor ódio"; o segundo é tentar retornar, fazer o caminho contrário e voltar ao ponto em que existia a condição do "não-ódio" – o ponto neutro: zero ódio, zero amor.

Lembre-se sempre: ninguém nasce odiando; aqueles que nos cercam se encarregam de ensinar.

Para deixar de odiar não se pode ter medo. É preciso coragem para confrontar suas próprias ideias e as dos seus, e assim ir em direção ao outro, para finalmente conhecê-lo. É necessário perceber que se você tivesse nascido na família daquele que odeia, amaria aquelas pessoas, teria as crenças delas, e certamente também seu ódio. Sim, você odiaria os seus – estes que, agora, ama – e acharia suas crenças atuais, tão caras para você, um absurdo ou insanidade!

Saber se colocar no lugar do outro, a ponto de sentir o que ele sente e compreender como ele construiu sua visão de mundo, é o segredo da fraternidade, da tolerância e da PAZ.

Se você compreender isso, não conseguirá mais odiar!

Não, não é fácil. O não-odiar é uma arte do exercício diário!

Como não sentir vontade de fazer o mesmo com aquele que mata covardemente uma criança, esfola um cachorro? Contudo, se os odiarmos nos ligamos irremediavelmente aos mesmos e a seu mundo; e mais: se fizermos com eles o que fizeram com suas vítimas, nos aproximamos e, em muitos casos, nos igualamos a estes que nos fizeram sentir náuseas de revolta.

Não, não teremos feito justiça, mas apenas um ato de vingança! Seremos criminosos perante a as leis humanas e do Universo. Saberemos sempre do sangue em nossas mãos.

Quem nos deu o direito de julgar, sentenciar e executar?

Lembre-se: sempre que você acredita em algo, seu cérebro filtrará as experiências que vivencia, fazendo parecer que a realidade do mundo é aquela mesma que acredita; assim, seu ódio se intensificará e poderá ser eternizado por tantas "provas" de que o outro merece todo o desprezo que devota a ele. Esta tendência a acreditarmos fortemente somente naquilo que confirma nossas crenças interiores se denomina raciocínio motivado.

Já será uma enorme conquista pessoal se o indivíduo que alimentou algum grande ódio chegar ao "ponto zero" – o estado do "não-ódio"; mas o ideal é seguir além na direção contrária, ultrapassando este ponto e, com calma, começar a amar quem, antes, contundentemente se odiava.
Este é o terceiro elemento em direção à saúde do coração e das sociedades: o aprender a amar (talvez, quem antes se odiava – o supra-sumo da transcendência humana).

Este sim é um desafio para os fortes! Com certeza, exige uma luta interna titanesca perseverar no caminho da auto/hetero-pacificação e da fraternidade.

Para que isso aconteça, é necessário férrea força de vontade, buscar sempre o universalismo e a ampliação da visão de mundo e de nossa humanidade; é mais necessário ainda, repito, aprender a se colocar no lugar do outro, conhecê-lo e, até, admirar suas qualidades e o ser único que ele é.

Necessita-se aprender, também, a não deixar a farpa das ideias preconceituosas penetrar em nossa mente e envenenar nosso discernimento. E acredite: você será bombardeado por elas!

O ódio diminui a vida, o que é uma prova contundente de sua ANTINATURALIDADE e por isso é, no mínimo, uma posição nada inteligente.

O ódio é o veneno que contamina, cega e adoece, trazendo a ira que agride e a adaga que mata!

Um lembrete adicional: todos – eu, você e os outros – temos o direito de ter defeitos e manifestar ideias absurdas (uma questão e liberdade). O que não temos direito de fazer é atacar o(s) outro(s) ou alimentar o hetero-ódio. Inclusive, poderemos estar cometendo um crime previsto em lei se fizermos isso!

Abaixo, um bela Palestra do TED que ilustra bem as teses deste texto com um exemplo real. Na descrição: "Se você for criado em dogma e ódio, será que consegue escolher um caminho diferente? Zak Ebrahim tinha só sete anos quando seu pai ajudou a planejar o bombardeamento do World Trade Center em 1993. Sua história é chocante, poderosa e enfim, inspiradora".




Além da maioria das religiões e filosofias, algumas teorias modernas também trazem indicativos de que o seu ódio ressoa pelo mundo, tornando-o pior só de você senti-lo (ou torna-o melhor, se você se alinha com positividades), tais como o Inconsciente Coletivo de Jung, a Teoria do Centésimo Macaco e a  Ressonância Mórfica.

Também AME A SI MESMO, porque quem se odeia, odeia o mundo todo. 

Se conseguir sentir amor por você mesmo verá acontecer a pacificação interna e de toda sua esfera de relações.

Busque a humildade de saber que o seu mundo e o que você acredita não é melhor que o universo e a crença do outro.
Se amar é difícil, comece expurgando todo o ódio. Você não vai ser menor, muito menos morrer; aliás, vai ampliar seu mundo, suas trocas, sua vida e sua felicidade.

Se apenas conseguir não odiar, você já pode se considerar um vencedor!
Se amar, você se tornou um ponto de luz no mundo!

Mas prepare-se, porque seus ex-comparsas odiadores mais próximos lhe atacaram inicialmente para depois, finalmente, escorraçá-lo de suas vidas e meios.

Em síntese:
  • Primeiro, desacelere o movimento que faz em direção ao ódio até desaprender a odiar;
  • Depois, aos poucos (ou em dolorida ruptura), "desodeie" – retorne ao ponto do "não-ódio";
  • E, finalmente, procure sentir apreço e amor às pessoas e coisas do mundo (e é claro, a você próprio!).
Com isso, o mundo – interno e externo – nunca mais será o mesmo!
Se você odeia alguém, é porque odeia alguma coisa nele que faz parte de você. O que não faz parte de nós não nos perturba. — Hermann Hesse
EdiVal
19/04/2015

Brinde (não precisa de tradução para entender):


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