domingo, 22 de março de 2015

Quem Comeu as Criancinhas?

Dizia-se, nos tempos "dourados" da propaganda anti-comunista no Brasil, que os militantes desta ideologia comiam criancinhas.

Claro, o horror dos horrores de se imaginar. É como o "fogo do inferno que queima sete vezes mais" que muitas mães, piamente, nos faziam terror para que não pecássemos quando éramos crianças.

Bobagens sem tamanho que só percebemos quando aprendemos a pensar (alguns não, infelizmente). Onde existe a ignorância, reverbarão ideias esdrúxulas!

Mas houve sim, na história recente do Brasil, um banquete cujo ingrediente – se não como prato principal, como aperitivo – foram alguns pequeninos.


Apesar de todo interesse em esconder todos os fatos, algumas histórias vazam como lodo fétido – talvez como parte de um processo sofrido de purificação, pois tanto mal não cabe nas valas frias dos cemitérios clandestinos nem nos fornos amargos das usinas de açúcar (fatos históricos que vieram à tona)

A ditadura torturou crianças.

Algo odioso, horroroso, nauseante! Menos cruel teria sido se tivessem comido literalmente as células juvenis, pois o "abate" poderia, ao menos, ter sido rápido e indolor. Tanta dor e injustiça na tenra inocência condena a uma vida de pesadelo, dor e medo que nunca cessa!

Brasileiros todos:


Pior que comer a carne, eles comeram a alma destas crianças!

Não, não foram os "comunas" os atores desta atrocidade. Foram monstros fascista-totalitários travestidos de autoridade, fardados nas cores dos que deveriam defender os inocentes. Foram os militares!

Alguns casos são relatados abaixo (mas cuidado, ler sobre o assunto pode contaminar a alma e causar depressão). Pode-se ver mais no artigo do El País.
  • Obrigado a assistir, "o menino de dois anos dizia: 'Não pode bater no papai. Não pode'. E batiam. Libertado quase um mês depois, passou os primeiros anos com pavor de policiais de farda e grupos com mais de quatro pessoas. Entrava em pânico, escondia-se debaixo da cama ou dentro do armário, mordia quem se aproximava e urinava nas calças. Ernesto foi uma criança com pesadelos recorrentes. O mais comum era com um asno, uma corda e uma agulha. 'O asno usava um boné militar, a agulha tinha olhos arregalados e uma risada aguda sarcástica e corria atrás de mim, eu apavorado tentava fugir. O asno me cercava, me dava coices ou chutava coisas sobre mim. A corda parecia boazinha, disfarçada de linha se estendia até mim, mas quando eu a segurava ela  machucava minhas mãos e me deixava cair em um abismo'".
  • "...João Carlos Schmidt de Almeida Grabois, o Joca... Ele estava na barriga da mãe, Crimeia, quando ela levou choques elétricos, foi espancada em diversas partes do corpo e agredida a socos no rosto. Enquanto ela era assim brutalizada, os agentes da repressão ameaçavam sequestrar seu bebê tão logo nascesse. Quando os carcereiros pegavam as chaves para abrir a porta da cela e levar Crimeia à sala de tortura, o bebê começou a soluçar dentro da barriga. Joca nasceu na prisão e, anos depois, já crescido, quando ouvia o barulho de chaves, voltava a soluçar"... "Perto da hora do parto, em vez de levarem Crimeia para a enfermaria, a colocaram numa cela cheia de baratas. Como o líquido amniótico escorria pelas pernas, elas a atacavam em bandos. Isso durou quase um dia inteiro. Só no fim da tarde, com outros presos gritando junto com ela, a levaram para o hospital. O obstetra disse que, como não estava de plantão, só faria a cesariana no dia seguinte. Crimeia alertou que seu filho poderia morrer. O médico respondeu: 'É melhor! Um comunista a menos'".
  • "...Carlos Alexandre Azevedo, o Cacá, não suportou a lembrança. Talvez porque ele nunca pôde transformá-la em memória. Era nele algo vivo e sem palavras, um silêncio que não conseguia se dizer. E um silêncio que não consegue se dizer é um pavor. Ele tinha um ano e oito meses quando sua casa foi invadida por policiais do DOPS/SP, em janeiro de 1974. Como começou a chorar, os policiais deram-lhe um soco na boca que de imediato sangrou. Passou mais de 15 horas em poder da repressão, nas mãos de funcionários do Estado, enquanto lá fora gente demais vivia suas vidas fingindo que nada acontecia. Seus pais ouviram relatos de que nesse período o menino, pouco mais que um bebê, teria levado choques elétricos. Cacá se matou aos 40 anos, em 2013".
Todos que pedem novo golpe ou apoiam a ditadura assumem parte do carma de torturadores de bebês, pois sabem muito bem o que estão fazendo. Não existem inocentes nesta era da informação. Toda militância baseada no "não quero saber", é corrupção pessoal diante da quebra de todos os limites humanos que jaz no ato de torturar crianças.

Assista ao documentário "As Crianças e a Tortura", da Rede Record:


Ótimo artigo da UOL.

Leia o livro "A Infância Roubada", da Comissão da Verdade":


Baixar:  1ªPARTE   -   2ªPARTE   -  3ªPARTE
"Quando escuto brasileiros fazendo manifestação pela volta da ditadura, penso que eles não podem saber o que estão dizendo. Quem sabe, não diz". (Eliane Brum).
Se eu pudesse, daria a estas pessoas um pouco da dor que, cruel e levianamente, acham justificável: um tempinho de aprendizado intensivo!
Imagino que os traumas e ensinamentos obtidos através dessa dor vivida seriam tantos, em tão didática aula, que muitos se encolheriam como bebês no ventre da mãe para chorar compulsivamente, e nunca mais profeririam tantas insanidades.

Nunca mais tentariam ressuscitar monstros odiosos.

"Para que não se esqueça. Para que nunca mais aconteça". 
(Dom Paulo Evaristo Arns)

EdiVal
22/03/2015

segunda-feira, 16 de março de 2015

Brasil e o Remédio da Dor Desdenhada

Se eu pudesse... daria a certos brasileiros:

Uma semana de fome,
Um minuto de agressão injustificada,
Meia hora no pau de arara.

Um ano sem poder se expressar livremente,
Uma ou duas eleições sem o direito do voto,
A sensação advinda de um minuto de dor e humilhação infligidas – a si mesmo ou a um ente querido – por monstros travestidos de autoridade.


Daria, como necessário remédio amargo:

Uma sequência constante e infindável de perdas das liberdades e de direitos conquistados,
Um silencioso e secular abandono dos governos enquanto as misérias da vida consomem a si e aos seus,
A dor de não poder alimentar a quem ama.

Assim, entenderiam pela via da realidade sentida:
  • A importância de um país sem fome,
  • A monstruosidade dilacerante da tortura e da ditadura,
  • A experiência libertadora que é poder se expressar livremente em uma Democracia.
Ah, se eu pudesse...
Daria a essas pessoas exatamente o que elas pedem!
Ou o que acreditam, levianamente, ser o melhor em um país imaginado por elas.

Porque o melhor remédio e escola,
É viver a realidade do que, sem pensar, se clama,
Ou sentir a dor do outro que se desdenha!


EdiVal
16/03/2014

sábado, 14 de março de 2015

A Política da TERRA ARRASADA no Brasil de Hoje e do Passado: Destruindo para Conquistar

Muitas vezes, durante os conflitos que vemos na sangrenta história da humanidade, foi utilizada uma técnica altamente destrutiva e poderosa, denominada "TERRA ARRASADA".

Quando se vale do método, um exército ou população pode, por exemplo, recuar diante de um ataque que não podem combater diretamente, levando junto o que conseguem, queimando os alimentos e casas que ficam para trás, envenenando a água e destruindo o que mais poderia ser aproveitado; enfim, tornando insustentável a utilização dos recursos da localidade pelos que vem em seu encalço.

O resultado final é o enfraquecimento do inimigo, mas com o ônus de ter sua própria terra devastada. É a técnica derradeira, o "vencer a  todo custo", a mais legítima vitória de Pirro.



Já neste grande país chamado Brasil, talvez não tenha existido ou se vê a guerra como é contada pelos livros de história; existe, na verdade, um conflito velado e covarde onde tudo vale para desestabilizar o governo, a economia e a confiança, com o intuito claro (mas não declarado) de (re)tomar o poder.

É a política da TERRA ARRASADA no front brasuca, onde o agressor é quem, invertendo as peças do tabuleiro, intencionalmente arrasa o país, visando o queda do Governo ou o poder que não conseguiu obter pelas vias democráticas. É uma massiva técnica de guerrilha onde seus comandantes se escondem (e se mostram) nas brechas obscuras da lei, embaixo de uma justiça falha, da ignorância das pessoas e na desinformação e manipulação de uma mídia, ela mesma, guerrilheira, interessada apenas em lucrar e na manutenção de um poder concentrado. Haja vista seu histórico – e de muitos outros poderosos (pessoas e instituições) – de envolvimento e crescimento dentro dos golpes ocorridos no passado.
Se houvesse justiça perfeita no Brasil, estes estariam atrás das grades, e seu dinheiro corrupto e manchado com sangue de inocentes seria "repatriado".

Só pensam, absolutamente, em si e em seu lucro vil, e cujos desastrosos resultados de suas ações maléficas são imputados, tanto quanto possível, ao ente que é atacado e também ao povo – o terceiro elemento e vítima manipulada (e nem sempre inocente) desta equação perversa.

Buscam todo ponto fraco, aumentam, fazem lavagens cerebrais com técnicas maciças de propaganda, desinformação e dissimulação, e se utilizam de métodos deploráveis, atacando e recuando das sombras, minando as forças e a popularidade dos que querem derrubar. Destruição de reputações é uma de suas especialidades.

Se valem da ignorância da população e das seduções corruptivas de uma possível tomada de poder.
Jogam com o medo e o ódio, valendo-se de inimigos reais ou criando imaginários: o Comunismo, o Terrorismo, o ódio entre classes ou crenças, ou o medo da mudança (metatesiofobia) e do novo (neofobia) que quase todos os povos possuem em alto grau.

Dividem para conquistar!

Verifica-se, quando se lança um olhar para a História do Brasil, que neste jogo covarde ocorrem combinações poderosas de forças: políticas, midiáticas, econômicas, sociais, exógenas, corporativistas e militares. Seus componentes eram e são, em sua maioria, conservadores, anti-minorias, anti-distribuição de renda/bem estar social, corporativistas, "cristãos" e repressores. Flertavam e flertam com o fascismo e o militarismo, muitas vezes totalitário.

Foi assim com Getúlio Vargas  o "pai dos pobres". Como hoje, em sua época também a imprensa construía um clima de medo e uma imagem de corrupção generalizada na forma de "um mar de lama" – imputado hipocritamente ao outro, claro.
Havia a indisposição do Congresso, dos meios de comunicação e das Forças Armadas, além de uma classe média raivosa com o aumento dos direitos trabalhistas que Getúlio promoveu.

Nesta época, havia um comandante: Carlos Lacerda. Duro, manipulador, militarista e sedento por poder. Dizia – valendo-se da mídia que direcionava, mandava e desmandava – que Vargas era um "bandido corrupto que comandava uma quadrilha”. Quem está tendo um Déjà vu?

A derrota de uma tentativa de IMPEACHMENT mostrou aos inimigos de Getúlio que medidas legais não surtiriam efeitos, donde restava o MASSACRE DETERMINADO À FIGURA DO PRESIDENTE; deste modo, nas semanas que antecederiam o suicídio de Vargas (agosto de 1954), houve uma intensificação dos ataques de Lacerda contra todos próximos do presidente  de aliados a parentes, e até mesmo quem era neutro na UDN, seu partido.
Neste clima criado, os militares exigiam a RENÚNCIA do presidente, a população estava confusa e crescia a tensão e a indisposição como resultado da campanha de difamação. Curiosamente, a criação da PETROBRÁS também alimentou este clima, pois contrariava o setor empresarial.

Era um ataque diário, massivo e coordenado, visando criar as condições para a deposição.

E assim, diante de tal situação e clima de GOLPE, só restou a Getúlio "sair da vida para entrar na história". Com o suicídio, a população se enfureceu e forçou a recuada destas forças desestruturantes e evitou o golpe por 10 ANOS!

Vale a pena aqui transcrever o discurso de Tancredo Neves que disserta sobre  tais forças (DELGADO, 2001):
Um partido conservador e anti-trabalhista, por duas vezes derrotado em eleições democráticas em cujas fileiras – é preciso reconhecer – existem também verdadeiros patriotas iludidos na certeza de que servem aos seus verdadeiros ideais e não a interesses antinacionais – eis o elemento de fachada e a brigada de choque da grande conjura. Uma imprensa conservadora também ligada aos interesses dos grandes capitais nacionais e, por conseguinte, amalgamada no ódio a Getúlio Vargas e ao seu programa de governo, eis a máquina de agitação da opinião pública e de infiltração no seio das Forças Armadas, através do ludibrio das boas intenções de oficiais dignos e bem intencionados, mas, ao mesmo tempo, suscetíveis a uma determinada propaganda, por isso mesmo que saídos das classes mais abastadas. Por detrás de tudo isso e acima de tudo isso agia um grupo de notórios representantes do capital estrangeiro, de ricaços interessados em salvaguardar as suas gordas fontes de lucros em divisas. Por serem sabidamente ligados aos dinheiros estrangeiros, souberam manter-se no mais completo anonimato, arquitetando um plano cientificamente traçado de destruição do governo Vargas e velando pela sua execução nos mínimos detalhes. Esses foram os verdadeiros autores da conspiração e os primeiros responsáveis pela morte de Vargas (...) Esses tristes inconfidentes da traição e da morte tinham nas mãos todos os cordões que movimentaram os títeres da implacável conspiração (...) No que toca às Forças Armadas, cumpre ressaltar que o ato de indisciplina e deslealdade ao seu Chefe Supremo a que foram levadas pela ação desagregadora de alguns líderes ambiciosos é, em grande parte, devido à ação de um grupo de oficiais da Escola Superior de Guerra.
Depois do suicídio de Getúlio Vargas, o vice-presidente Café Filho assumiu a presidência e Juscelino Kubitschek se candidatou à presidência da República, com João Goulart candidato à vice, fato este que trouxe, novamente, forte oposição de forças conservadoras, de alguns chefes militares e da União Democrática Nacional (UDN) liderado sempre por Lacerda que, por exemplo, publicou em seu jornal "A Tribuna da Imprensa" a "Carta Brandi": falsa, forjada para servir de base ao planejado GOLPE DE ESTADO contra as eleições, o que ficou provado posteriormente.

Foi intensa e feroz a sequência de eventos liderada por Lacerda para conseguir a quebra da
legalidade. A Imprensa – quase na totalidade conservadora – fazia o mesmo jogo.

Neste ínterim, Café Filho ainda encetou uma tentativa de GOLPE DE ESTADO com apoio de parte de tais forças políticas. O discurso anticomunista era utilizado de forma obsessiva para os ataques à dupla JK-Jango recheados de pedidos de INTERVENÇÃO MILITAR, Contudo, apesar de todas estas tentativas de quebra da legalidade, as eleições acabaram sendo realizadas e eles foram eleitos, como tanto temiam os conservadores.
Ainda tivemos episódios como a tentativa de outro golpe, debelado com um contragolpe, e instalação de um estado de sítio por 30 dias para garantir a posse.
A habilidade política e de conciliação de JK conseguiram garantir a governabilidade, cuja história conhecemos bem.

A História seguiu seu curso, e esta tendência "anti-Getuliana" retornou forte quando assumiu o poder João Goulart em setembro de 1961, com a renúncia de Jânio Quadros. Como Jango era identificado como "esquerdista" e falava de "reformas estruturantes" (como a reforma agrária) o discurso anti-comunista se assomou, acionando uma avalanche de acontecimentos que culminaram com o GOLPE MILITAR.

(Em tempo: a pecha de comunista (comedores de criancinhas) que tentavam colar em João Goulart era um absurdo! Ele era um fazendeiro interessado em melhorar as terríveis condições sociais do Brasil à época, apenas isso. Um pouco de estudo – com espírito desarmado – da história do período pode mostrar este fato facilmente.)

Para que o texto não se alongue demais, não detalharei aqui  como fiz anteriormente – os acontecimentos deste período que feriram a legalidade e atrasaram o país por 50 anos; os ataques foram de uma magnitude tal que não seria possível descreve-los em poucos parágrafos, mesmo de forma resumida.

Charge da época de Carlos Lacerda, "O Corvo".
Enfim, cheguei ao ponto desejado: não se pode perceber, neste contexto cronológico, que nesta época da História do Brasil o cenário era muito parecido com o atual?

Quem você identificaria com Getúlio e Jango? E com o O Corvo (Carlos Lacerda)?
Em tempo: Carlos Lacerda apoiou intensamente o golpe, para depois ser traído pelos militares.

O que se deve ficar registrar do "período democrático" 1946-1964 é até que ponto as forças conservadoras, com o apoio da mídia, podem chegar para manipular os destinos do país, não se importando com o caos e atrasos que venham a causar, valendo-se sem pudores de uma política de Terra Arrasada.

Relembremos a Copa do Mundo de 2014: Houve uma campanha vil que conseguiu montar um cenário sombrio que nem mesmo a mais criativa mente poderia imaginar, carregadas de rios de contraposições, vaticínios gigantescamente catastróficos e vergonhas indescritíveis que não se concretizaram (menos um inimaginável: o 7 X 1 germânico). Alguém pode refutar este fato?

Esta realidade vista na Copa, tão intensamente vivida por todos nós, não pode nos contar uma miríade de coisas sobre o momento atual e passado deste País? Não se faz uma prova contundente de que existe uma força destrutiva, manipuladora e egoísta agindo?

Veja que contrassenso: até mesmo MARADONA (olha o destaque!) foi capaz de nos enxergar melhor do que nós próprios, ao comentar como ficou assustado e receoso de viajar ao Brasil devido à campanha de descrédito do Brasil na mídia nacional (contaminando até mesmo o exterior):

– "O que se pintava é que seria um caos. Parecia que teríamos de comprar uma arma ao desembarcar por aqui, mas não foi nada disso".

Se necessitamos de Maradona para explicitar a realidade e dizer que “o Brasil não é assim como vocês próprios, brasileiros, tentam a todo custo fazer acreditar” deve ter algo muito errado neste país... quem há de negar?

Novamente vivemos o clima de golpe, intervenção, e um país parado por crises políticas e tentativas de fuga da legalidade. O comunismo é um ente morto, e mesmo assim ressuscitam-no como fantasma assustador. Falam novamente de um "mar de lama" como se fosse algo fora deles – uma hipocrisia sem medidas, e cada brasileiro sabe disso!

Precisamos perceber a necessidade de paz e continuidade democrática para que o país cresça, não só economicamente, mas também como povo e como Democracia.
Precisamos banir da esfera governamental quem traz o movimento hediondo da "Terra Arrasada"; precisamos, por vias democráticas, enfraquecer a voz dos manipuladores da opinião pública e destruidores de reputações, como vimos acontecer em matérias "jornalísticas" criminosamente falsas ou manipuladas, que desvirtuaram nada mais nada menos que os destinos de nosso país, que tanto amamos.

Precisamos trazer e levar a legalidade e a Democracia acima de qualquer partidarismo. Precisamos jogar apenas o jogo democrático. Precisamos que o fluxo dos acontecimentos siga a energia das regras e leis constitucionais que, se precisam ser mudadas, se façam sem violência e através de um crescer das pessoas e da nação.

E que não cometam a MONSTRUOSIDADE de enfraquecer a nação para conquistá-la.

É o Brasil que arrasam, é o povo que prejudicam, sem se importar com nada!

Vamos continuar permitindo isso?

EdiVal
14/03/2014

Adicional: animação Chicken Little (1943), produzido antes da guerra fria, o que indica que deve se tratar de uma crítica-alerta sobre o fascismo, ou a toda boataria promotora da "TERRA ARRASADA".




terça-feira, 10 de março de 2015

Je Suis Democracy!

Querem matar o voto,
Queimar a urna,
Voltar no tempo.

Põe-se a ressuscitar fantasmas,
Recriar antigos monstros,
Forçar seu mundo.

Desejam que prevaleça sua visão,
Faça-se o que se fizer,
Custe o que custar.

Encontraram, novamente, brechas para o que é hediondo:
O degolamento da Democracia,
Toda cólera, ódio e ditadura!

Não se importam de empunhar a arma da "terra arrasada".
De nos fazer caminhar em direção a um paredão!

As pessoas INdiferenciadas são os novos infiéis!



Je suis Democracy


EdiVal
10/03/2014

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Carta Aberta ao Público – O Desabafo de Um Professor Universitário

Li alguns comentários em rede social sobre o posicionamento de um acadêmico sobre a questão da greve dos professores e, apesar de não o conhecer, como professora tenho responsabilidades sociais e me sinto no dever de partilhar algumas informações com todos!

Primeiro, gostaria de deixar claro que escrevo na condição de ser BRASILEIRA e, como todos, querer um país melhor, além de ser professora universitária (adjunto C). Dentro deste contexto, quero esclarecer que não sou contra ou a favor deste ou daquele partido político. Neste momento, nós, sociedade brasileira, temos que ter seriedade e imparcialidade para julgar adequadamente e, assim escrever nossa história (salienta-se que quanto mais próximo da realidade estiver nossa consciência, melhor o NOSSO resultado)!


Bem, assim gostaria de esclarecer que no Brasil as universidades devem funcionar baseadas no tripé: Ensino, Pesquisa e Extensão! Aliás, estes três eixos devem se desenvolver equitativamente e há mecanismos de cobranças entre os pares para o exercício destas funções. As instituições voltadas, especificamente a pesquisa são bastante reduzidas, o que nos coloca em desvantagem em relação à outros países do Mundo, pois é fato consumado que o desenvolvimento econômico está diretamente relacionado com o desenvolvimento tecnológico de um país. Como um exemplo cito o caso do ítrio, um elemento químico importantíssimo para a construção de diversos equipamentos de ponta; porém, apesar do Brasil tê-lo em abundância, ainda não sabemos como isolá-lo de outros elementos químicos com alto grau de pureza, como aliás, sabemos fazer com o urânio radioativo. Na verdade eu poderia escrever um jornal sobre questões que atrasam o desenvolvimento do nosso país... mas isto não é o caso aqui.
O fato é que as universidades fazem e devem fazer pesquisas e projetos de extensão para a melhoria da qualidade da população. A função de um professor vai muito além de dar aulas!!!!!!! Se um professor der 08 aulas semanais (carga horária mínima) sua carga horária deve ser completada em outras atividades que fortaleçam o tripé.

O problema da UNESPAR campus de Paranavaí é seu perfil de faculdade que ainda nos persegue!!!! Reconheço que para acadêmicos que nunca tiveram oportunidade de vivenciar experiências com uma comunidade universitária de fato, fica difícil ou até impossível, perceber as diferenças reais entre uma coisa e outra! Postar no face que professor ganha muito (8, 9 ou 10 mil) para dar aulas uma vez por semana, realmente é mostrar sua incapacidade de análise frente as questões que permeiam uma UNIVERSIDADE.
Ah! Aliás, nas grandes universidades dar aulas não é o único item
significativo!!!!!! Os professores também estão muito interessados em fazer projetos e levantar dinheiro junto aos órgãos de fomento para financiar suas pesquisas.... Só alguns exemplos: vejam o caso da descoberta do efeito magnetocalórico, do DNA da doença da laranja, entre tantos outros (http://www.unicamp.br/unicamp/noticias/confira-novas-descobertas-da-unicamp-patenteadas-pelo-inpi).


Porém, este contraponto não finda o show de horrores que eu tive o desprazer de ler!!!! Caros amigos, é uma regra básica do direito de qualquer cidadão mundo afora: trabalhou – recebeu!!!
E, para findar (longe de esgotar minha indignação) gastos com a educação não são gastos!!!!!! Educação é investimento!!!!!!!

A globalização nos permite "espiar" outros países e aprender exemplos positivos... vejam o Japão, poucos alunos em sala, professores bem pagos e valorizados na sociedade, escolas bem equipadas, entre outros investimentos ou gastos, como queira os menos avisados...

Se não tomarmos cuidado e não fazermos nossa parte – profundas reflexões... vamos pagar caro no futuro!

A luta é pela EDUCAÇÃO PÚBLICA E GRATUITA!!!! É isso que estamos pedindo!!!

Apenas isso.

Shalimar Calegari Zanatta
Unespar, 25/02/2014

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Hipótese da Sociedade Livre de Ultra-Extremos

Vendo o crescer da radicalização no meu País e em todo o mundo – tendo como base as desigualdades, a ganância e os fanatismos – imaginei um pequeno corte utópico e remediante na microscópica parte mais radical, mais antropofágica, que é tão pequena em relação ao todo mas porta poderes altamente destrutivos que não deveriam possuir (não em um mundo melhor, menos injusto).

Vislumbrei, assim, como seria nosso mundo se, de um dia para outro, toda condição ultra-excessiva desaparecesse da face da Terra através da adoção de um paradigma-mor sintetizado na expressão "mundo sem ultra-extremos".

O que aconteceria com nossa sociedade e com o planeta neste mundo novo? Faria muita diferença no curto prazo e ao longo do tempo?

Caracterizarei esta condição, aqui, com o prefixo latino "ultra– entendendo-o como os radicalismos exacerbados, os extremismos materializados e os fanatismos cegos.

Termos relacionados:

Ultra-sectarismo, ultrafanatismo, ultrafundamentalismo, ultra-intolerância, ultra-intransigência, ultra-radicalismo, ultraconservadorismo, ultramaterialismo, ultrapuritanismo.

O excesso.

Sabe-se que, em geral, os exageros – tanto na quantia como no tempo de ação – são perniciosos; o que dizer, então, dos exageros maximizados?

Ultra-radicalismos trazem miséria, fome, preconceito e violência.

Minha tese é a de que o mundo se transformaria de uma maneira sem precedentes se, de alguma maneira, todas as instituições e pessoas deste grupo fossem "desempoderadas".

E não seria nada demais, pois o que se considera "excessivamente excessivo" geralmente corresponde à pequenos grupos; estes seriam trazidos para um patamar abaixo da faixa "ultra": por exemplo, de ultra-radical para radical. Os terroristas são um exemplo dos que seriam imediatamente desaparecidos; os ditadores, outro.

Gênese.

Pode-se dizer que no mundo vivemos pulando de um extremo ao outro desde que o homem é "sapiens".
Já começa que a vida nasce de extremas e doloridas contrações do corpo da fêmea e da mudança brusca do ambiente do bebê.
Em seguida, somos obrigados a viver em sociedades extremadas e, no fim, morremos em uma condição de debilidade máxima ou dano fatal ao corpo: o derradeiro extremismo existencial.
Viver é uma condição extrema e todo atentado à vida humana é um ultraje.

Nós, humanos. 

Os extremos fazem, enfim, parte indissociável da vida humana neste planeta, e com eles temos de aprender a lidar.
Muitos não conseguem viver em tais condições e enlouquecem; por natureza, contudo, estamos preparados para lidar com elas.
Será este fato em tudo negativo? Talvez estimule a mudança e a criação e assim nos faça caminhar, não sei...
Até o amor excessivo é negativo, pois sufoca e não deixa crescer.

Fanatismo sem limites.

A liberdade permite adotarmos quaisquer filosofias, mesmo extremistas. Os problema são os "ultras" materializados em atos, seja na forma de ultra-radicalismos, fanatismos exacerbados ou ultra-animosidades; enfim, toda intolerância militada.
Neste caldo odioso se encontra a matriz da violência, dos genocídios, das guerras.
Um radical é capaz de, "apenas", desestruturar uma mera possibilidade de conversa sã. Já um ultra-radical deseja, a qualquer custo, fazer prevalecer seu ponto de vista. São mais perigosos e em maior número do que se imagina. Basta a oportunidade e o momento para se revelarem, se acharem uns aos outros e se retro-alimentarem, buscando sempre amealhar novos membros para sua causa. Haja vista os gritos fascistas pedindo a ditadura militar no Brasil pós-eleições: desejam o golpe, instalar sua totalidade, a homogeneidade de seu pensamento.
Exemplo perfeito da dinâmica da ascendência dos movimentos radicais registrados na história ou em plena atividade.

Sistemas político-econômicos I.

Nos últimos séculos vimos nascer o ultracapitalismo, que concentra a renda e mina as oportunidades da maioria esmagadora dos seres humanos.
Este, constrói as mega-corporações, que juntas tem um PIB maior que muitos países.
Com eles, se fazem os ultra-ricos que, junto a estas corporações-monstro, possuem os meios e ferramentas para direcionar os caminhos mundiais a seu favor, construindo as condições para a perpetuação de sua condição sem pensar nos estragos que causam à toda sociedade planetária.
É a ultraconcentração de renda, representada por poucos morando no Olimpo: uma minúscula ponta da pirâmide mas que suga o que está na base e produz fome e a miséria.

A maior parte da riqueza mundial é detida por pouco mais de 8% da população global (gráfico da Credit Suísse).

Sistemas político-econômicos II.

Os radicais da extrema direita são ultranacionalistas, ultraconservadores e elitistas; se consideram em condição especial no mundo como povo e ideologia, se contrapondo ferozmente ao outro (diferente, menor, menos "merecedor"). Se possível, dominariam todos os outros povos "inferiores".
Os radicais da extrema-esquerda não ficam longe em potencial destrutivo, desejando ardorosamente estabelecer sua ditadura e sua visão de sociedade, seja por que meio for.
Os dois geraram o fascismo, o nazismo, o terrorismo e os genocídios.
Ainda, às vezes, alguns ultra-extremos se tocam: Na Alemanha nazista, o ultranacionalismo se uniu à segregação racial institucionalizada e à crueldade inominável, e gerou o Holocausto.

Outros "ultras".

Existe a ultra-agressão ao corpo quando se ingere quantidades de alimentos ultracalóricos ou extremamente pobres em nutrientes, deformando-o e minando sua saúde. Atinge boa parte da humanidade.
Identicamente, injetamos em nosso templo físico drogas – lícitas ou ilícitas – sabidamente agressivas ao corpo e destruidoras da mente e da capacidade de sentir a vida verdadeiramente. É a ultra-idiotice!

A sociedade sem limites e o Planeta.

Além das citadas considerações econômicas, humanas e sociais, não esqueçamos do nosso único e possível lar, fonte de todo alimento, calor e vida: a Terra.
O ultraconsumismo corrói o Planeta e coloca em risco nossa existência. Nossa ultradepredação de todos os recursos iniciou e acelera a sexta extinção em massa da história da vida neste globo!
Será o derradeiro ultra-extremismo existencial compartilhado?
A extinção de uma raça inteira é uma ultramorte?

A utopia da sociedade sem ultra-extremos.

Alguns extremos são compulsórios, como sabemos.
Mas a maioria absoluta deles poderíamos evitar, gerando consequências na vida de todos.
Vamos ampliar o pensamento e, num exercício de livre-imaginação, vislumbrar como seria um mundo livre da exacerbação dos excessos?
Façamos apenas um pequeníssimo corte e retiremos uma minúsculo pedaço da ponta da pirâmide, onde mora toda "ultralidade":
  • Sem os radicalismos e animosidades excessivos geradores de tendências bélicas, a diplomacia seria mais eficaz do que as guerras e os países não necessitariam de tantos investimentos em segurança e defesa – interna e externa – podendo investir estes recursos na saúde e bem-estar dos povos, na arte, educação e Ciência;
  • Desapareceriam os regimes totalitários, os genocídios e as guerras - "ultras" que são;
  • Teríamos o Capitalismo disseminado como hoje, mas com o corte do ultracapitalismo desapareceriam os ultra-ricos, haveria maior circulação de riquezas e o consequente desaparecimento da base da pirâmide onde jaz à miséria; seria o fim da fome, aumento da classe média e dos "somente" ricos. Um bilionário produz 1000 milionários;
  • Aos poucos, se instalaria uma profunda democracia global, com grande prosperidade para todos, ecumenismo, universalismo e paz duradoura por todo o mundo;
  • O exagero de quantidade e da falta absoluta de qualidade dos alimentos, além das drogas destruidoras, seriam evitados, trazendo maior expectativa de vida, maior produtividade no trabalho e alívio nos sistemas públicos de saúde, contribuindo para o desenvolvimento das nações;
  • Sem estas pressões e com a prosperidade alcançada, a preservação ambiental seria mais buscada, e o mundo ganharia uma chance.

Considerações finais.

Pode-se afirmar que, mesmo sem tocar diretamente na maioria absoluta dos sistemas de governos, crenças e pessoas, e mantendo a sociedade no curto prazo na forma como a conhecemos, o fim dos ultra-extremos transformaria para sempre a face do mundo, sem romper com o lugar que aprendemos a viver (contudo, melhorado).
Se existisse no passado, não teria havido as condições para a ascensão do nazismo, do comunismo ditador e do fascismo; guerra civil espanhola e ditadura militar no Brasil, idem.
Enfim, seria um paradigma norteador de alta eficiência na evitação dos extremos nocivos da humanidade, um mecanismo automantenedor da justiça social. A garantia de um mundo de paz e prosperidade para todos, sem rupturas ou revoluções (no máximo, evoluções).

Uma utopia, enfim...

Por enquanto, façamos nossa parte, vivendo um vida sem excessos maiores do que nós!

Utopia de um mundo sem "ultralidades".

EdiVal
16-12-2014

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(Nunca se esquecendo que não se deve ser ultra-extremista nem quanto a esta "filosofia": se alguém tem ideias ultra-extremistas, é um direito dele; desde que não o manifeste em atos e apologias destrutivas).

sábado, 22 de novembro de 2014

As Transposições do Rio São Francisco na Crônica de uma Bióloga Encantada

“Ter um destino é não caber no berço onde o corpo nasceu, é transpor as fronteiras uma a uma e morrer sem nenhuma” 
(Miguel Torga).

O termo transposição pode ser definido como o ato ou efeito de ascender, escalar, sobrelevar. Em um sentido metafórico, pode ser colocado como a superação dos obstáculos, onde o personagem – herói ou vilão – consegue transpor-se para um novo patamar (interno ou externo, material ou imaterial): perfeita figura de linguagem para todos os tipos de saltos quantitativos/qualitativos. Metáfora, curiosamente, pode ser definida como a transposição do sentido de uma determinada palavra para outra, sentido este que, inicialmente, não lhe era pertencente – coisa relevante neste texto.

Mas deixemos de lado outros prolegômenos definitórios e vamos logo ao que interessa: a protagonista desta história é Juliana (Oliveira, J.S.B.). Ela nasceu no Mato Grosso do Sul e veio aqui pro Paraná estudar na Faculdade. Bióloga por vocação, logo que se viu com o canudo diploma na mão, aventurou-se em um mestrado na Agronomia; na agro – sem querer ser diferente mas já sendo (como sempre...) – escolheu um tema de estudo para sua dissertação tão sustentável quanto controverso: Homeopatia em vegetais! E antes que falem: sim! Ela obteve resultados positivos (não infinitesimais), parte recém publicados no paper Activation of biochemical defense mechanisms in bean plants by homeopathic preparations”.

Depois de defender seu mestrado com doses cavalares de apresentação, agora ela quer ser doutora; e para variar (adivinha!) sua tese também não tem uma hipótese de estudo muito comum não, versando sobre o uso de Elementos Terras Raras na agricultura. Controversa e corajosa, essa menina!

Uma bela morena, diga-se de passagem, cheia de vida. Pesquisadora, atleta e pianista!

E minha garota, que besta é que não sou!

Quer saber mais sobre as revolucionárias pesquisas desta jovem cientista? Vide Currículo Lattes, claro!

Mas como não só de ciência que se vive uma vida, de vez em quando dá tempo da gente bater um papinho, e por estes momentos sei bem que ela não gosta de política – demonstrando certa irritabilidade indisfarçável ao falar no assunto; também não concorda com muitos programas governamentais, e com certeza se posicionaria na oposição, se política fosse. Dificilmente conversamos estes assuntos (questão de estratégico bom senso...).

Sobre o Nordeste, estava impresso em seu cérebro o que mora na cabeça da maioria dos brasileiros: a imagem da seca, da desolação, da subnutrição e da pobreza; dos coronéis, da indústria da seca, do voto de cabresto – construída ao longo dos séculos por uma história de opressão por parte da natureza e dos homens – em uma região onde a escassez seria, além de água, alimentos e recursos, também de tecnologia, investimentos, cultura e “vergonha na cara” por parte dos donos do poder.

Quanto à polêmica obra de combate (ou de convivência) com a seca denominada “Transposição do Rio São Francisco” (TRSF), até recentemente sua impressão era de que se tratava de mais uma obra faraônica de cunho político/eleitoreiro do Governo Federal, totalmente desvinculada da realidade e cujos recursos poderiam ser utilizado de forma mais eficiente em outros projetos. Também estava em sua mente a “certeza” de que a obra não obteria uma aprovação de uma área técnica especializada séria, e que acabaria se configurando, regionalmente, como mais uma fonte de enriquecimento de “coronéis” e moeda de compra de votos.

Como bióloga, somava-se às questões citadas outra que era (como não podia deixar, por coerência, de ser) uma das suas maiores preocupações: a ecológica! Estaria havendo um cuidado mínimo quanto ao impacto ambiental? Também questionava, academicamente centrada como é: foram feitas parcerias com universidades? Finalizou, com ênfase e consciência social: privilegiar-se-ia, acima de tudo, o benefício coletivo? (Não é um primor?).

Mas em uma recente viagem com objetivos acadêmicos até a fonte dos acontecimentos – onde correm as integradoras águas do Velho Chico – ela se viu depositária de muitas informações privilegiadas, o que a forçou a mudar muito pontos de vista pessoais sobre este tema. Contando como foi esta aventura, ela me trouxe preciosos elementos e ajudou a consolidar e colapsar outros pontos, e espero que, com este texto, novas percepções sejam levadas também aos leitores do mesmo.
Esta viagem foi realizada no primeiro semestre de 2014 onde, em uma reunião para apresentação de dados na Universidade Federal do Vale do São Francisco (UNIVASF), palestrar Juliana foi: deixou pra trás todo o marasmo do Paraná, comprou uma passagem e foi direto a Petrolina, Pernambuco. E assim nossa heroína sentiu-se, repentinamente, como verdadeira personagem de um romance de Graciliano Ramos em épicas histórias nas veredas do grande Sertão.

Mas, antes de tudo, viveu seus dramas de estudante-profissional-cientista: apresentou, assistiu, ensinou, aprendeu; cumpriu com sucesso sua missão acadêmica no projeto que, à época, participava: o SISBIOTA Brasil - Sistema Nacional de Pesquisa em Biodiversidade – "bioprospecção de fungos sapróbios no PPBIO/ semi-árido nordestino para o controle de doenças infecciosas em plantas: indução de resistência" (ufa!).

Apresentação de resultados da pesquisadora ( e minha namorada nas horas vagas) Oliveira, J.S.B., na UNIVASF (Petrolina, PE), dentro do programa SISBIOTA Brasil.

Finalizada com êxito sua missão – mas ainda na condição de profissional/cientista – impressionou-se com a universidade: equipamentos de ponta (“ow! Novinhos em folha”, disse), laboratórios muito bem organizados, equipe de pesquisadores ativos, entusiasmados e em pleno desempenho de suas funções “pesquisísticas”. Em suma, muita grana rolando, bem aplicada na montagem dos laboratórios, na formação de um corpo acadêmico forte e também na consecução de projetos, muitos direcionados ao desenvolvimento e preservação do sertão. Foi o que ela viu e, eufórica, retornando me contou (depois da matada épica de saudades, claro!).

E pelo que se sabe este não é um fato isolado! Tanto que, neste ambiente acadêmico que estamos inseridos, a grande fonte de empregos – por conta das novas universidades que estão sendo abertas ou pela ampliação do número de vagas – corre à boca miúda: aumenta conforme subimos em direção ao Norte! E já vou avisando: ela também pretende brigar por sua vaga quando, num futuro próximo, for a “Doutora Juliana” (chique no último!), sobrando, para todos mais, n-1 vagas, capiche?

Esta foi a primeira transposição pessoal da nossa protagonista:

Da região seca não só de água, mas também de saber, para um surpreendente Nordeste irrigado de conhecimento e ciência.

Mas depois, Juliana Batista, “animada pra guerra”, foi lá fora excursionar – no campus e no campo (pois boba ela não é!). Tomada como sempre por seu característico sentido de apreciação turística e curiosidade irrequieta, procurou fazer muitas perguntas e participar o máximo possível – assumida amante das interações interpessoais que é – do que é típico e pitoresco da região e do seu povo.

Ju interagindo (gente, duas dela na janela!).

No vale, virou encantada, e pode coletar novos dados que mudaram mais de seus pontos de vista: viu um Nordeste de paisagens incríveis (sim, fora do litoral!); já do avião havia se impressionado com um verde inesperado. Nos caminhos sertanejos que passou, se deparou – entre tantas coisas que não cabem aqui – com os tais jegues trocados por motos por seus donos (recém ascendidos à classe média) que, abandonados, vagam pelo sertão, tema de várias matérias da mídia. Mas uma das experiências que mais a impressionou foi comer uvas dulcíssimas direto no pé debaixo de pomares gigantescos, capazes de produzir duas vezes por ano; além disso, com manejo e novas variedades, o Vale poderá vir a produzir, brevemente, uvas o ano todo! Soube também das pesquisas de desenvolvimento de novos produtos com esta paradisíaca fruta, como a produção de suco de uva (verdadeiramente) 100% integral e vinhos orgânicos, para a crescente indústria de processamento de alimentos da região.

Viu também muitas plantações de manga, goiaba, seriguela, abacaxi e outras mais, todas com saúde e produção excepcionais, proporcionadas por incentivos, pesquisa científica, irrigação franciscana e muito sol tropical!

Foto tirada em 26-03-2014, em Juazeiro (BA), mostrando belas paisagens...

Só não gostou de saber que a maior parte do que é produzido é exportado, mas reconheceu a riqueza que isso traz para a região.

Esta foi sua segunda transposição pessoal:

Da imagem estéril, amarga e cinza da terra seca, para um quadro mais fértil, doce e verde da terra molhada.

Mas as surpresas não pararam por aí! Ela teve a ímpar oportunidade de conversar com pesquisadores diretamente envolvidos com o projeto da TRSF, e pôde sentir o amor e entusiasmo que eles manifestavam por estar participando de tal empreitada. Claramente, essa foi a parte que mais a marcou e inspirou.

O professor que recebeu os alunos e coordena parte do projeto foi um destes. Era tanto entusiasmo, paixão e volição, que ela e outros tiveram a impressão de que este professor-pesquisador-coordenador, mesmo sem salário, continuaria trabalhando para dar seguimento ao que acredita; eles puderam enxergar olhos emocionados, quase lacrimejantes, neste mestre-pesquisador, ao contar detalhes do projeto que trabalha. Obteve a informação dos pesquisadores de que havia, sim, todo um cuidado na prospecção e no manejo quanto à fauna, flora, geologia e todo acervo biológico, com um forte estudo de impacto – ambiental e humano – iniciado em tempo para ser efetivo.

Em tempo: neste projeto, um bilhão de reais foi destinado para a área ambiental.

Ela contou também que a UNIVASF está absorvendo os próprios recém formados e que trabalharam desde o início com a transposição, garantindo um comprometimento excepcional.

Conversou também com uma promotora que fazia a conciliação com os desapropriados, que disse acreditar bastante no projeto, no sentido deste vir a verdadeiramente beneficiar a população. Em outras conversas, também trouxe a impressão de que o povo local estava confiante, acreditando que realmente a transposição era algo bom e viria, mesmo com atrasos, a melhorar a vida do sertão.

Depois de ela me contar t-u-d-i-n-h-o, nos mínimos detalhes, até se sentir completamente satisfeita (muitas e muitas... horas depois), pedi para July fazer uma síntese dos motivos para ela, agora, acreditar no projeto. Respondeu-me que, se antes achava que este era um projeto mais político do que tudo, nesta experiência descobriu que este possui, em sua base, além do forte estudo de impacto, um corpo técnico/executor comprometido, e este, segundo ela, seria a chave de tudo: COMPROMETIMENTO (ênfase dela).

Enfim, esta experiência, além de lhe trazer uma esperança justificada de que o projeto mude realmente a vida de milhões de pessoas, de tão rica para ela não tem o que pague: "Ow (lê-se 'ôul')! Foi maravilhoso sentir tanta paixão", confessou-me, expressando todo seu encantamento.

Esta foi a terceira e última transposição Juliana:

Da pré-concepção de ser a TRSF mais uma obra seca de potencial e caráter social, para a certeza de um projeto que, no mínimo, convence e entusiasma brasileiros altamente capacitados e cheios de amor por seu país, sua gente, e por seu trabalho transpositor.

Essa viagem, para nós, foi uma preciosa fonte de elementos relevantes, especialmente por se encontrarem fora do contexto das guerras política e midiática que praguejaram o Brasil da copa e das eleições. Estas informações, pinçadas honestamente “de dentro”, fazem (a meu ver) com que este texto tenha sua relevância e sua verdade e, assim, um porquê de vir a existir – uma pequena contribuição, mas ao menos estas experiências não morrem aqui: transponho-as do cárcere das lembranças e da efemeridade da palavra falada para a fisicalidade da linguagem escrita, apresentada na vitrine grande da websfera.

Infelizmente, o que se vê no Brasil desde sempre é a busca do benefício pessoal (do seu grupo político, de sua empresa, de sua classe), sem pensar – como bem disse Juliana – no benefício coletivo.

Com a reflexão derivada destes dados, enxergo que quando uma obra com bases técnicas firmes – segundo muitas vozes que se podem depositar valor – sonhada desde o império (1877), tentada por todos os governos depois da ditadura e que, indubitavelmente, trará maior segurança hídrica, resiliência socioeconômica, desenvolvimento e progresso para milhões de pessoas, é colocada dentro desta dinâmica contrária, corre-se o risco de matar a esperança e o futuro de toda essa massa humana que seria beneficiada; mas não só: destrói-se também um fantástico trabalho feito a inúmeras mãos, de pessoas que trabalham ali com paixão porque acreditam de verdade e que, com talento e espírito inquebrantável, não medem esforços para transpor do papel para a realidade uma obra com potencial de mudar o país e ficar na história.

São estes laboradores incansáveis que sentem – diretamente do olho do furacão – esta antienergia, mas não param de trabalhar em prol do que consideram importante e relevante, pois são movidos pela força vital que emana desta terra, para eles repleta de possibilidades inexploradas e de humanos merecedores de progredir sustentavelmente. Essa verdade, fato consumado, não pode ser refutada.

O que se podem inferir destes fatos? Tudo isso mostra que, indubitavelmente, existem outras transposições tão necessárias quanto esta debatida aqui (respeitando as opiniões diversas movidas por intenções positivas e com embasadas argumentações).

Transpor-se, enfim, para um novo patamar – mais elevado e mais bonito –  de Brasil e de brasileiros.

Espero que, juntos – a portadora da boa nova, Juliana, e eu, o escrevinhador desse causo – estejamos ajudando a trazer elementos de capacidade crítica através de informações privilegiadas de quem trabalha diretamente com o projeto e acredita no valor do que faz. Nosso paradigma norteador, desta maneira, é aquilo que apreendemos destas conversas “in loco”, e a base técnico-científica se sustenta nas revisões da literatura.

Este estudo me fez crer que o sonho do fim das vidas secas “a maior” virá quando for materializada aquilo que chamo de a “quadra redentora do Nordeste": revitalização, gestão, retenção e transposição, elevando o povo sertanejo para uma resiliência além da sobrevivência pura e simples, um salto para um novo patamar onde exista estabilidade social e econômica e seja, assim, possível crescer sustentavelmente e desenvolver-se em todos os sentidos.

Em suma, neste pequeno espaço-tempo aferido pôde-se ver e sentir que, mais que contratados para realizar um serviço, os trabalhadores da obra – de operários a cientistas – se vêem como portadores de uma missão histórica. Indubitavelmente, se fosse outro modelo de projeto leva-água para o sertão, eles estariam trabalhando com o mesmo amor e afinco para fazer funcionar, se nele acreditassem – simplesmente porque faz parte de suas naturezas.

Neste sentido, este texto poderia ser também, tranquilamente, intitulado como:

"Uma crônica sobre admiráveis brasileiros entusiasmados por participar da transposição de todas as secas”.

Nossas reverências – minhas e da protagonista que teve seu final feliz – a estes e a todos batalhadores que trazem consigo tais valores. Que eles não esmoreçam e continuem sonhando, se qualificando, trabalhando e crescendo para ajudar nesta empreitada de todos nós, brasileiros, para transpor o gigante adormecido em sustentável, dinâmico e justo colosso – porque os obstáculos são muitos e do tipo grandões.

E um beijo na Juliana! ;)

EdiVal
2014.

domingo, 16 de novembro de 2014

Os 50 Anos de Atrasos da Ditadura e a Reedição de 1964: Continuaremos a Permitir que Ataquem a Democracia no Brasil?

Neste texto procurarei demonstrar que, após cinquenta anos do golpe militar no Brasil, encontramo-nos, novamente, exatamente em cima do ponto de partida. Um ciclo de 50 anos em que a permissão dada pela geração de 64 de que a Democracia fosse encarcerada matou algo muito precioso: a luz dos povos livres, a estrela-guia da liberdade e a possibilidade da verdadeira expressão das potencialidades de um povo único.

Nos colocamos, hoje – como se fosse dada uma chance de redenção –  numa encruzilhada em que determinaremos, novamente, como serão os próximos cinquenta anos: um número redondo, meio secular e emblemático para um ciclo tão caro na vida de nosso país.

Nunca é demais relembrar: a palavra democracia se origina da contração dos termos gregos demos (povo) + cracia (governo), significando, desta maneira, que o povo detém, em princípio, poder sobre os poderes legislativo e executivo.

Não à toa, a Constituição do Brasil começa dizendo:
  • Art 1º - O Brasil é uma República Federativa, constituída sob o regime representativo, pela união indissolúvel dos Estados, do Distrito Federal e dos Territórios.
  • § 1º - Todo poder emana do povo e em seu nome é exercido.
A democracia garante – mesmo com defeitos de uma criação humana que é – a liberdade, a diferença de opiniões, distribui os direitos e as responsabilidades, protege (ou deveria proteger) a todos sem discriminação perante a lei; se baseia em eleições livres e na possibilidade de contraposição pacífica de ideias, ideais e modos de ação.

Viver em uma democracia é – mais do que ter direitos e deveres – ser ativo na construção e no desenvolvimento da nação.
Para se fazer democracia, necessita-se de um firme espírito conciliador, libertário e pacífico. A agressão, o ódio e a beligerância são antidemocráticos a maior.

Um regime não democrático não possui estas diretrizes. Pode-se citar como exemplos as ditaduras, o totalitarismo, o nacionalismo, o comunismo compulsório e o fascismo. Todos estes podem ser considerados como antagônicos da Democracia.

Na ditadura o poder reside em apenas uma instância, e não admite oposição a seus atos e diretrizes. Já nos regimes democráticos o poder é dividido entre Legislativo, Executivo e o Judiciário.

O Comunismo se configura uma doutrina social que prega o direito de todos a tudo, mediante, por exemplo, a extinção do direito à propriedade privada.

Muitos acreditam que o golpe de 64 foi algo necessário, no sentido de parar o um pretenso perigo comunista. Contudo isto não é verdade. Não existiam dados fortes e generalizados da existência deste perigo à época. O presidente João Goulart era um democrata com desejo de fazer reformas sociais, e apenas isso: um fazendeiro com boas ideias e intenções para as quais o país não estava preparado nem para ouvi-las. Prova disto é que seu governo sempre obedeceu todos os ritos democráticos.
Nas palavras de Fernando Henrique Cardoso:

“Jango assustava os proprietários e a classe média mais tradicional quando prometia reforma agrária e reforma urbana. Nós estávamos na Guerra Fria, e a tendência era radicalizar”

“Jango nunca foi comunista”.

Estes a quem um governo que pretendia necessárias reformas sociais assustava, se tratava da elite financeira e preconceituosa do Brasil e, portanto, com grande influência sobre a nação. Uma forte mobilização destes significava uma ação avassaladora a que as instituições democráticas brasileiras –que mal tinham acabado de nascer – não poderiam subsistir.
Uma pena, porque se tivessem resistido, teriam se consolidado, e estaríamos 50 anos à frente como povo e nação!

Aquela geração deveria ter confiado na força da democracia.

Mesmo que supostas "forças comunistas" tentassem crescer – o que os fatos indicam que nunca aconteceria – uma contraposição democrática fortaleceria de um modo inimaginável o espírito republicano do Brasil, e uniria seu povo em torno de uma grande ideia de liberdade e cuidado das coisas democráticas.
Infelizmente, mataram este caminho de crescimento multilateral.

Cartazes das manifestações pró-ditadura em suas duas edições (2014 e 1964).

Vemos que a democracia no Brasil é uma pequena linha escrita no livro de sua história. Nos seus 514 anos de existência, em apenas 53 deles floresceu uma democracia verdadeira (embora capenga) – menos de 1,5% de sua vida bebendo de tão límpida fonte! Foram 450 anos de aprendizado ditatorial, escravagista, excludente e de ódio às oposições, ideias contrárias e a qualquer cessão de privilégios.

Como podemos ver, analisando a história do Brasil é possível compreender a existência de tantas ideias e conceitos retrógrados enraizados na alma do brasileiro, que exista tanto ódio entre compatriotas, que as forças de segurança pública ataquem quem deveriam proteger, que se linche pessoas na rua, que se veja exposta – como chaga putrefata – uma polarização odiosa, e que alguns olhem com saudade os regimes violentos cerceadores de liberdades.

 Pode-se afirmar, simbolicamente, que em 1990 revivemos 1945, e que em 2014, tenta-se reeditar 1964.

Sem um lastro de experimentos democráticos de peso ao longo de grandes espaços de tempo, as dificuldades de viabilizar a democracia eram (são?) gigantescas. Imaginemo-nos em 1945: o povo só conhece a ditadura Vargas, o regime excludente da primeira república e, na memória dos mais velhos, a monarquia ainda deveria ressoar em sua visão de mundo.
Sem uma experiência anterior de participação política profunda, como seria viver em uma democracia? Em quem votar? Como fazer valer os direitos políticos e civis?

Era como a ingenuidade de um bebê aprendendo a andar com as próprias pernas!

Estes fatos se refletiram em governos estranhos e inconsistentes, adeptos de bravatas, além de instituições fracas, sem ideologias e comprometimentos com algo maior que as pessoas investidas do cargo. Contudo, este era parte indissociável de um necessário aprendizado (know-how democrático) que, de maneira alguma, poderia ter sido quebrado.
Mas o foi, INFELIZMENTE!

Todo o conhecimento obtido na escola da democracia, no (curto) período de 1945-1964, se desfizeram sob a truculência da ditadura!

Foi a morte da escola da democracia, mas não só! Foi a morte do pensamento livre, essencial para uma nação que deseja achar seus próprios caminhos para se desenvolver e encontrar seu lugar no mundo.
Pensemos: porque os regimes ditatoriais matam as pessoas que pensam, exilam suas mentes mais brilhantes, cerceiam a juventude? É óbvio!
E aqui não foi diferente. Este foi um fator de atraso que ainda, 50 anos depois, não nos recuperamos completamente. Como podemos construir uma nação livre e próspera matando as mentes que pensam mais profundamente e também o aprendizado derivado de nossas próprias escolhas?

Foram 50 anos roubados da possibilidade plena de olhar para si mesmos enquanto membros de uma sociedade livre, do atrito de ideias que advêm desta condição, da lapidação de cada ser pela necessária negociação e embate de ideais e de visões de seres com mesmo direitos, mas que são diferentes em suas necessidades, desejos e ideias.


Por isso nos debatemos tanto após a ditadura; por este motivo chegamos em 2014 com tantas mazelas expostas. Se a democracia não tivesse sido golpeada, teríamos passado por tudo que estamos passando nas décadas de 60-70, e ao PERSISTIR na grande escola democrática, teríamos nos desenvolvidos de uma maneira INIMAGINÁVEL. Estaríamos, hoje, no rol dos mais desenvolvidos países do mundo livre, como povo e como nação, gozando de nosso "estado de bem-estar social" (Welfare state).

Mas o Brasil e seu povo não podem fugir eternamente de seu destino!
Ao se reiniciar o regime democrático, novamente tivemos nossas experiências de governos difíceis e repletos de problemas.  E, mais significativo ainda: toda tentativa de fuga de uma experiência à esquerda e de necessárias reformas sociais se revelaram em vão, pois foi o que vimos acontecer – só que com décadas de atraso, e parcialmente.
Contudo, nunca se conquistou tanto em tão pouco tempo!

Seguindo na cronologia dos fatos, a reedição da história se completa no surgimento, novamente, de forças antidemocráticas, sectaristas e excludentes, levantadas por aquela mesma classe de pessoas que estão sentindo os ventos de mudanças que trazem para perto os miseráveis, tão úteis em um sistema de alta concentração de riquezas.

Novamente, se ataca um governo eleito democraticamente e que satisfaz todos os ritos do stabilichment democrático por não concordância com sua linha, mas que, principalmente, tem ideias que foram vencedoras nas urnas.

Esta é a verdade incontestável, seja qual for o grito dado:


A URNA DECIDIU  E ELA É SAGRADA!

Outro ponto relevante e objetivo mas que, paradoxalmente, não se mostra claro para a maioria dos povos, é que o comunismo ditatorial definha, falido e moribundo. O que se vê no mundo atual são cadáveres ambulantes de um ente que não deu certo, só esperando o tempo necessário para ser enterrado para sempre.
E clamam por ele, revivem-no para incutir medo nas mentes desinformadas.

Mas não estão mortos, absolutamente e ao contrário, a Ditadura, o Fascismo, o Totalitarismo. Só olhar as ruas, o mundo e as redes sociais e se enxergará o verdadeiro “inimigo”, e é preciso acordar para esta realidade!

Deste modo, os que atacam a democracia e apoiam a Ditadura se alinham e equivalem aos alardeados comunistas totalitários da época da guerra fria que tanto odeiam, e devem ser rechaçados (pacifica e democraticamente sempre)!
Não existem argumentos aceitáveis para os que cerceiam a democracia e a liberdade, aos que não desejam, injusta, egoística e desumanamente, perder ou partilhar privilégios: tudo para si e seus iguais, nada para os outros parece ser o lema.
Isto não é democracia, é a ditadura da exclusão social, da desigualdade e da concentração de poder sem limites.

Independente dos desejos de qualquer movimento e classes, a Democracia não pode ser atropelada. Seja dolorido ou não este caminho, o aprendizado democrático é imprescindível!

Trilhemos a Democracia caminhando pela estrada da liberdade e da soberania!

Vivamos plenamente o rito, as dores e as delícias de vivermos em uma grande e rica Nação democrática.

Não existem atalhos para a Democracia!

"A intolerância é em si uma forma de violência e um obstáculo ao desenvolvimento do verdadeiro espírito democrático" (Mahatma Gandhi)
EdiVal
16/11/2014

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Um País Chamado Rasil

Um tanto do Brasil
pode ser nominado Rasil!
Uma parte do povo brasileiro
se mostra rasileiro!

Ultra-radicais sectaristas,
inflexíveis eugenistas.

 para os íntimos (substantivo simplificatório menor),
autoproclamando-se mór!

Sub-répteis draconianos,
caçadores desumanos.
É 1, 10, ou 100% do Brasil?
o cólero Rasil.

Na razão e proporção de um pó,
uma panela autodenominada decente.
Em uníssono esbravejam, da boca a baba mente.
e se acham uns aos outros para nunca raivarem só!

Esquerda/direita, direita/esquerda: pro outro meu casco.
Todos farinha do mesmo asco!
Não se junte com esta gentalha!
Morram corruPTucanalhas!

Razão? Só tem!
Corrupção? Só Rá sem!
Verdade? Só anti- mente!
Capacidade? Só Rá terá mente!

Dente cerrado,
ódio gritado,
Rá quer ser total!
(Um sonho segregacional).

Quem quer uma raspadinha?
Não com meu dinheiro, camaradinha!.


EdiVal
12/11/2014

terça-feira, 4 de novembro de 2014

São Paulo, Não Caia no CICLO HIDRO-ILÓGICO!

Grande e pujante São Paulo:

O fantasma da falta de água assusta neste momento, preocupando cada um dos seus filhos.

Mas uma hora a chuva descerá para molhar abundantemente a terra.

Em algum momento, os reservatórios voltarão a transbordar, e a seca, aparentemente, cessará.

Mas, amada região, não caia na armadilha secular/mundial do “CICLO HIDRO-ILÓGICO”!

(*) Representação do chamado "ciclo hidro-ilógico", de autoria do climatólogo Donald Wihite.

"ciclo hidro-ilógico", baseado nas observações de Wihite em casos de grandes secas, funciona, resumidamente, assim:
  1. Dentro da seca que parece não ter fim, o pânico surge e desespera a todos;
  2. Com a chegada da chuva vem o alívio, e com o tempo uma irracional apatia, e — pasmem —  tanto a população como o Poder Público não se preparam para uma nova seca;
  3. Quando a seca novamente dá as caras, brota de novo o pânico na população, em um círculo vicioso totalmente desprovido de lógica: é o "ciclo hidro-ilógico"!
Enfim, já existem muitas histórias catastróficas construídas por secas de visão mundo afora. Que não construa mais uma por fartura momentânea de água.

Que se faça as mudanças necessárias, se planeje, se realize. Que haja cooperação e respeito à natureza, pois sem ela nada poderá subsistir ao longo dos anos.

Paulistas e paulistanos (e que reverbere no país): cobre veementemente de seus governantes eleitos a adoção de todas as medidas e políticas necessárias para que o desenvolvimento seja sustentável e o futuro de suas crianças seja possível.

A terra das oportunidades não pode arriscar seu futuro (e quem o fizer, carregará um crime do tamanho deste impressionante pedaço do Brasil!).

Então se ligue: mesmo que amanhã de manhã a água transborde, não feche seus olhos para a primordial questão das águas, grande São Paulo!


EdiVal
04 de novembro de 2014.

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Adicional abre-olhos:
As previsões da Ciência são unanimes e desenham um futuro catastrófico para todo planeta, com possíveis secas durando décadas para determinadas regiões devido ao AQUECIMENTO GLOBAL!
Veja mais no artigo :
Assessing the risk of persistent droughtusing climate model simulations and paleoclimate data” (AULT et al, 2014 - Journal of Climate). 


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*Figura obtida no trabalho “Gestão adaptativa para um mundo em mudança – segurança hídrica e gestão de riscos” de Francisco de Assis Filho - UFC.