sábado, 19 de novembro de 2016

O Jargão "PRIMEIRO CRESCER PARA DEPOIS DIVIDIR O BOLO" da Ditadura e o LIVRE MERCADO

O livre mercado é algo positivo, necessário não só para construir a riqueza de uma nação, mas também como condição sine qua non para que as liberdades de um povo estejam sendo respeitadas.

O livre arranjo de trocas que ocorrem entre duas ou mais pessoas, na forma de um acordo voluntário entre elas, define o livre mercado, e é algo fantástico, uma parte das condições primordiais para que exista a liberdade do indivíduo.

Contudo, agora começam as restrições.
Primeiro, mesmo o livre mercado tem de ter regras, apesar desta afirmação parecer contraditória. O LM tem de vir para construir a riqueza sem que haja concentração na mãos de poucos, e deve seguir sem destruir a natureza. E como fazer com que isto aconteça?

Libertários esbravejarão, mas digo: não existe e nunca vai existir país com "livre mercado" sem várias regras e regulamentos, seja qual for o tipo de governo, ou a ausência dele, ou mesmo em um estado de democracia pura, Não vale a pena, neste texto, fazer um detalhamento sobre o tema, que sempre rende discussões eternas.

Então, quando dizem que o livre mercado é a condição que vai debelar a miséria, meu queixo cai.
É só olhar o mundo atual, é só olhar o passado!
O "livre mercado" per si não tem condições para livrar o mundo da miséria, pois não deixa de ser uma "lei do mais forte". Os milionários e as grandes corporações, por esta lei, sempre conduziram e conduzem as coisas a seu favor, como mostra a história e o status quo.

O livre mercado deve ser conduzido como um fluxo, que é uma maneira de pensá-lo. Assim, um fluxo, como a água de uma cidade, se bem conduzido abastece as casas e traz vida; se deixado sem direcionamento, destrói as casas dos fundos de vale, exatamente onde moram os miseráveis.

Esta é a falácia do livre mercado, extensamente utilizado pela ditadura militar do Brasil, resumido na frase "PRIMEIRO CRESCER PARA DEPOIS DIVIDIR O BOLO", como forma de justificar medidas pró-mercado/indústria, produtoras de miseráveis e que, como podemos ver ao olhar para nosso País, só intensificou a concentração das riquezas nas mão de poucos.

Escrevo este texto pois o momento atual é perigoso. O caos que está o Brasil pode dar energia para o retorno da ideia miserabilizante de que o é necessário crescer primeiro na forma de uma "ditadura do livre mercado", "sem que o governo atrapalhe", e assim a miséria deixará de existir. É muita ingenuidade, falta de senso histórico ou má fé propalar tal ideia.

Um país com um PIB gigante pode ser altamente injusto e excludente!

Não se deixem levar pelo canto da sereia dourada, pois milhões podem ser levados para o fundo do mar sem peixes, enquanto poucos estarão na superfície em seus iates luxuosos conduzindo o fluxo a seu favor.

Que o Livre Mercado seja um promotor de riquezas, justiças e liberdades – para nós e para os nossos descendentes.

EdiVal
19/11/2016

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Governos Ditatoriais não tem Ideologia nem Espectro Político: São Apenas Violências

Existem muitos tipos, sistemas de governo:
  • Governos de esquerda, de direita.
  • Governos conservadores ou liberais. 
  • Com Estado grande e Estado pequeno.
  • Com menos ou mais proteção social.
Contudo,governos ditatoriais não são e nunca foram de direita ou de esquerda, conservadores ou liberais. Nem nacionais-socialistas nem repúblicas democráticas. São e sempre foram, apenas ditaduras!

Governos ditatoriais não servem como comparação – seja como exemplo negativo ou como propaganda positiva – para nenhum tipo de governo ou espectro político.

Entende-se ditadura como um governo que não leva em consideração as necessidades e vontades de seu povo, usando a força para governar e abolindo as liberdades individuais que não lhes convêm.
E ditadores são apenas usuários do abuso de poder em massa, monstros genocidas travestidos de autoridade.

Por este raciocínio, um governo ditatorial reconhecidamente de direita como a de Pinochet no Chile não pode ser usado como exemplo de que "a direita matou dezenas de milhares". Não! A ditadura de Pinochet que matou.


Similarmente, o mesmo não pode ser dito sobre Cuba ou a antiga União Soviética, com governos centrais autoritários. Assim, o comunismo nunca matou milhões – foram governos ditadores que o fizeram.

Prova desta afirmação são os vários povos que se a História mostra e que viviam em perfeita harmonia em um estado de Democracia Pura e riqueza distribuída. A diferença é que não havia um ente central (sempre, de alguma forma, ditador), e sim dividido entre todos igualmente – riquezas, poder e saberes.

Outro ponto relevante ao tema deste texto é que nos países de maior IDH da atualidade encontram-se características de socialismo e de liberalismo, de proteção social conjuntamente com livre mercado. E todos os espectros políticos afirmam ser o seu preponderantemente e tentam usá-los como propaganda.

O que se vê nos debates nas redes sociais é exatamente isto. Cada qual dizendo o que lhe convém: que o nazismo é de esquerda ou de direita, que o comunismo ou o capitalismo matou milhões, que os países nórdicos são socialistas ou adeptos do livre mercado capitalista.

E vociferam que o outro é idiota por não enxergar "estas realidades claras"!

Enfim, as ditaduras – atropelando seu povo e destruindo a liberdade – são danosas per si, e geralmente refletem a loucura e crueldade humana quando esta tem grande poder concentrado em mãos. Apenas isso.

Um povo que não pode ser o que almeja ser, que não tem as rédeas do destino em suas próprias mãos, existe apenas como potencialidade – vegetando à espera de poder, finalmente, respirar os ares da Democracia verdadeira e bater livre suas asas, alçando seus próprio vôos – e o melhor: na direção que desejar.


EdiVal
17/11/2016

A Superexposição (quase) Invisível dos Moradores de Rua.

More na rua e obterá uma contradição odiosa: a exposição máxima enquanto se torna invisível!
Intangível.

Não é mais cidadão, ninguém olha por você, ninguém te protege.
Nem te rege.

Quando for notado:
um chagado!

Verá olhares reprovadores enojados, quiçá de ira!
De pira.

De quem, internamente, grita: desapareçam vagabundos!
Nauseabundos!

Trazendo o medo eterno de ser agredido, queimado, deletado.
Desalmado.

Desamado.



EdiVal
17/11/2016

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Pai Mata o Filho por Ocupação. De quem É a Culpa por Tamanha Tragédia?

Uma tragédia anunciada.
A prova cabal de uma sociedade doente.
Um dos maiores horrores que o ser humano pode produzir: um pai matar um filho por motivo fútil (discordâncias político/ideológicas).
Ódio puro. Fanatismo. Doença.
UOL.
Em uma visão mais profunda, a grande verdade é que o grande culpado reside na loucura do pai – na sua anormalidade, no seu desequilíbrio e no seu preconceito.
Fruto de uma visão deturbada do mundo e de uma emocionalidade torta.

Pobre pai, neste momento sua alma deve se contorcer de culpa e arrependimento.
É uma pena...

Mas alguns outros grupos de pessoas não podem ser isentos de uma parcela da culpa que lhes cabem neste manicômio. Fácil fácil eu acho meia dúzia deles:
  1. São culpados os que, sendo da família e círculos mais íntimos, apoiavam e alimentavam as ideias tortas do pai, certamente expressas no lar e nas reuniões familiares/sociais.
  2. São culpados os que, denominando-se amigos do progenitor, nunca discordaram de seus discursos de violência na mesa do bar ou no churrascão; mais culpados ainda os que concordavam com ele e estimulavam tais ideias.
  3. São culpados os fanáticos corajosos das redes sociais que sem medo postam sistematicamente conclamações de ódio e estímulos a ações violentas, dizendo muitas vezes que estes "esquerdinhas", "esquerdopatas", "esquerdosos", "petralhas" tem mesmo é que morrer.
  4. É culpada a imprensa que, às vezes, até aplaude "pretinhos amarrados em postes";
  5. São culpados os "direitistas" que entram na onda e enchem a boca como o discurso bélico.
  6. São culpados os que, sendo de esquerda, também surfam na onda deste clima de polarização violenta.
Nossas palavras, mensagens, mesmo em um ambiente aparentemente inofensivo como as redes sociais, podem encontrar ressonância, multiplicando efeitos nefastos, alimentando os sentimentos de ódio das pessoas, fazendo acontecer casos como este.

Tem muita culpa para muita gente. E, em alguns casos, seres que habitam as mais baixas escalas humanas produzem horrores como este do print abaixo:


Oxalá não produzamos nenhum tipo de colocação – escrita, falada ou postada – que reverbere e estimule qualquer tipo de violência.

Ao contrário, que nossa interação com o mundo promova somente a paz.
Chega de ódio!


EdiVal
16/11/2016

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Quando os EUA Revelam seu Terceiro-Mundismo

Estados Unidos da América: o país mais poderoso do mundo, o mais rico, o mais influente. Desenvolvidos, bélicos e orgulhosos!

Mas alguns fatos fazem pensar. Vistos isolados, poderia-se perfeitamente confundi-lo com um país do terceiro mundo.
Vejam alguns;
  • Presidentes manipulados, como se viu com Reagan;
  • Corporativismo: verdadeiros donos do País (aqui);
  • Escândalos sexuais (Clinton);
  • Manifestações de preconceitos profundos, levando a imagens degradantes e conflitos em "praça de guerra" (aqui e aqui);
  • Barbárie digna de guerra civil: gangues e revoltas de minorias por injustiças ou descasos; exemplo: os negros são massacrados e se revoltam. (aqui e aqui).
  • Fanatismo e fundamentalismo religioso, digno de mentes primitivas (aqui e aqui)
  • Alto índice de sem-teto e miseráveis, incluindo crianças (aquiaqui e aqui);
  • Eleição de um presidente boçal, assumidamente machista, misógino, preconceituoso, homofóbico e xenófobo (aqui, aqui e aqui);
  • À exemplo do Brasil, viu-se uma grande polarização e agressividade política nas últimas eleições, fazendo o povo americano e o mundo temerem pelo futuro (aqui e aqui).

A Internet ajudou muito a descortinar esta realidade, que sempre existiu, A imprensa livre também.
Contudo, nada disso é bom para o mundo.
Esperemos que os EUA, bem como todos os países e povos do mundo, cresçam como cidadãos da terra que são, irmanados na construção de um mundo melhor.

Paz.

O primeiro passo sempre passa pela autocrítica sincera de seu povo.


EdiVal
10/11/2016

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

O MOVIMENTO SECUNDARISTA E A RENOVAÇÃO DA ESPERANÇA NO FUTURO DO BRASIL

Em um contexto histórico, desde a década de 40 o denominado movimento secundarista passou a atuar diretamente na busca por uma melhor educação para todos os brasileiros.
Na luta contra o golpe militar, foi duramente combatido e jogado na ilegalidade.

Teve seu papel, também, na redemocratização do País.

Atualmente, por força de um momento estranho de crise educacional, o movimento ressurge com força. Desde 2015, já foram vistos diversos atos motivados por variados acontecimentos, tais como:

Ato 1. Nos meses finais de 2015, estes movimentos, na forma de ocupação de escolas, principalmente em São Paulo, voltaram às manchetes do noticiário político brasileiro devido a um projeto de reorganização escolar do governador Geraldo Alckmin, levado à frente sem consulta à sociedade e muito menos aos estudantes. Este movimento levou à ocupação de centenas de escolas em todo o estado e ao recuo do Governo.
Ato 2. Novamente em São Paulo (2016), um vergonhoso escândalo de desvios nas compras de alimentos (merenda) destinado aos estudantes leva os alunos a ocupar novamente as escolas, culminando na criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o escândalo.
Ato 3. Na mais forte e articulada mobilização e em ação no momento (out/2016), como protesto à "PEC 241" (que propõe congelar os gastos públicos por 20 anos), à reforma do Ensino Médio e ao projeto “Escola sem Partido”, o movimento já alcança aproximadamente 20 estados em todo o país e quase mil escolas ocupadas.

Independentemente de quaisquer argumentos de contrariedade, clamando por motivação ideológica, manipulação dos alunos por grupos de esquerda, de molecagem pura e simples ou de um antidemocrático atropelo dos direitos de outrem, muita coisa vai ficar deste movimento.

Movimento este inimaginável antes de acontecer, diga-se de passagem.

Sim, muitas lições a sociedade e a juventude está tirando e ainda vai tirar desta onda secundarista, tais como:
-Um antigo instrumento de pressão e uma nova forma de fazer política;
-Uma nova relação de toda a comunidade com a escola pública;
-Percepção de que aluno pode, sim, ter voz e mudar seu futuro educacional e dos que vierem;
-Que a união, mesmo de jovens considerados imaturos, tem poder e pode se fazer ouvir, levando ao crescimento de toda a sociedade;
-Que esta união pode ser feita de maneira bela, positiva, como se viu com alunos pintando as escolas ocupadas, consertando, limpando, promovendo atividades culturais e outras ações de mesmo teor;
-Que os jovens tem garra e coragem, suportando pressão e agressão por parte dos políticos, dos movimentos conservadores, das forças de repressão do governo.

Em: http://educacaointegral.org.br/wp-content/uploads/2015/11/pintando.jpg

Quantas lições mais?

Certamente uma infinidade delas! E, além disso, um sentimento e uma percepção subjetivas de que se pode ter esperança em um futuro melhor para o País,  cada vez mais democrático e pleno de ideias novas, graças ao que vem demonstrando esta juventude.


EdiVal
02/11/2016

sábado, 9 de janeiro de 2016

Brasil Estranho Brasil

Um dia, Tim Maia disse que o Brasil é o "único País em que puta goza, cafetão sente ciúmes, traficante é viciado e pobre é de direita".

Temos de dar o braço a torcer perante a realidade que nos é mostrada e considerar que aqui, nas terras de Santa Cruz, valem, além das que Tim citou, inúmeras outras estranhezas, contradições e paradoxos – muitas repousando no passado e, outras, atualíssimas!

Algumas podem ser legais; outras, nem tanto...(algumas são, na verdade, terrificantes!).

Este é o país onde o governo militar, perseguidor e torturador de "comunistas", e a quem  acusavam de comer criancinhas, foi na verdade quem o fez, ao submeter alguns pequenos à torturas hediondas, sugando-lhes a inocência e a alma.
Repito para olhos que não querem ver: a ditadura torturou criancinhas!

Onde os acusados pelos ditadores de nutrir o desejo de implantar o Comunismo, ascendem ao poder anos após e seguem todos os ritos democráticos, aprofundando a Democracia e a liberdade; para completar, em 2016 quem ainda os acusa aplicam um golpe na Democracia derrubando um governo legitimamente eleito.

Onde professores – uma dos sustentáculos de qualquer nação – são tratados como bandidos (PR, 2015), ou se veem na condição de reféns de estudantes sem limites e seus pais indelimitadores; onde jovens estudantes que lutam por mais educação são reprimidos com violência pela polícia (SP, 2015).

Onde crianças perdidas, vítimas da falta de estrutura e amor, amargando o preconceito e a indiferença, são depositárias de ódio encarcerador e extermínio.

Onde a eliminação da pobreza e da fome gera expressões de puro ódio e preconceito;

Onde a justiça é unilateral e arma vil de políticos inescrupulosos;

Onde a política da terra arrasada chega na forma de ondas destruidoras e periódicas;

Onde "quem tem ética parece anormal" (Mário Covas), e onde "sucesso parece ser ofensa pessoal" (Tom Jobim);

País que foi "a melhor colônia de Portugal, depois que deixou de ser colônia" (Alexandre Herculano);

Onde a população mostra "altivez nas baixezas, amor-próprio nas bagatelas e obstinação em puerilidades" (José Bonifácio de Andrada e Silva);

País que é "a prova de que geografia não é destino" (Millôr Fernandes);

País-continente, eternamente pertencente ao futuro – tempo este que nunca é presente.

Brasil estranho Brasil: misto de paraíso e inferno, em que se vive a todo tempo um amor estranho amor.

Ame-o, mude-o! 




EdiVal
09/01/2016



quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Carta Aberta aos Barros e a Todos Que Atacam o Bolsa Família

Motivação.
Como paranaense, como brasileiro e, principalmente, como ser humano, senti a necessidade de escrever um pouco sobre o assunto trazido à pauta pelos  Barros – uma família de políticos profissionais de matriz maringaense (PR).
Se trata de um ataque ao Bolsa Família, programa de assistência social do governo brasileiro que conta com 13,9 milhões de famílias beneficiadas.
Um, deputado federal Ricardo Barros (PP), quer tirar 10 bilhões do programa; outra, deputada estadual Maria Victoria B. Barros e filha do primeiro, defende o pai em uma coluna, repetindo o eterno jargão do "ensinar a pescar, e não dar o peixe", e que pode ser lida aqui.

Ricardo Barros. 
Cida Borguetti, Ricardo Barros e a filha Maria Victoria.
Não posso deixar de apontar que Ricardo Barros – como tanto vemos no Brasil atual – é um político que responde a alguma investigação por corrupção. Existe até mesmo uma gravação comprometedora no Youtube sobre licitações com sua própria voz ressoando em nossos ouvidos indignados (veja aqui e aqui). Recentemente, ele votou a favor de Eduardo Cunha no Conselho de Ética – político este com fatos que o habilitam ao vergonhoso posto de "maior corrupto da história republicana". Faço estas colocações como desabafo e desmérito da ação partindo de um político com tal condição egóica, mas não pretendo fazer, absolutamente, uma argumentação ad hominem. Pretendo ser – ao mesmo tempo – pragmático, libertário e humano. 
Este político profissional, RB, deseja agora subtrair do mundialmente reconhecido programa muito dinheiro e, consequentemente, pessoas.

Ensinar a pescar? Crescer para depois distribuir?
Na miséria e na fome não se pesca, se rasteja no chão e se fica preso nas malhas escuras da ignorância, e esta condição é perpetuada em cada filho nascido no seio do abandono pela sociedade e pelo estado. Já foi dado a cota do "ensinar a pescar" e "crescer  para depois distribuir"; chega de –década após década, século após século – ouvir as mesmas promessas para, depois, nada ser feito – e todos sabemos: nunca será feito se este caminho continuar sendo trilhado.

A armadilha da pobreza.
O abandono à própria sorte constrói uma armadilha que se reproduz de geração para geração. A pobreza traz a falta de nutrição e o consequente subdesenvolvimento cognitivo, a consumição pessoal no trabalho estafante para "malemá" se conseguir trazer comida para a mesa, e a revolta de ser miserável em um país rico. Como uma pessoa presa nesta vil armadilha pode escapar e crescer?
Não sem ajuda! Para quebrar este circo vicioso, é necessário uma ação afirmativa dos governos.
É um preço mínimo que se deve pagar e, se pensarmos bem, é um direito e seguro para todos os brasileiros: se pelas peripécias do destino um dia você, Maria Victoria, ficar na miséria, terá o direito a essa quantia e não morrerá de fome. Poderá comer arroz e feijão, e não as sobras do lixo. Ah sim, deixa eu te falar: não pareceu saber, mas esse valor não é a fortuna que você, espetacularmente, parece insinuar em seu texto...

Crianças.
O programa Bolsa Família mantém 36 milhões de pessoas fora da linha da extrema pobreza. Quero fixar algo: nunca, NUNCA se esqueçam que milhões dessas pessoas são crianças, seres humanos frágeis em plena formação intelectual, emocional e física. Elas são inocentes CRIANÇAS, ressalto novamente! Se o programa evitar a dor da fome de apenas UMA criança nesta terra plena de fartura, para mim já terá valido a pena.

O empoderamento das mulheres e o caso do sertão.
Sabe-se que as mulheres são as titulares de 93% dos cartões do Bolsa Família, o que está ajudando a romper a cultura da resignação de mulheres frente aos companheiros. Sabia, Maria Victoria, que segundo um estudo da socióloga Walquiria Leão Rego, era terrível a condição de uma infinidade de mulheres no Sertão Nordestino? Para elas sempre foi assim: sem dinheiro, sob o jugo do marido "provedor" e machista, dos inúmeros filhos e da fraqueza da fome e miséria, da obscuridade da falta de instrução, completamente perdidas na caatinga isolada. O Bolsa Família teve um efeito empoderador para estas mulheres, libertando-as do jugo destes homens opressores até onde o pouco dinheiro do programa pode libertar.
Você que é mulher, pode entender como pode ser terrível uma vida de prisão marital? Gostaria de ter esta condição para você ou para as mulheres de sua família? É capaz de entender o bem que esta mísera quantia fez para estas sofridas mulheres presas no sertão seco e pobre?
O que um "ensinar a pescar" poderia ajudar estas mulheres?

Bolsa Família: uma ampla e barata vacina!
O Bolsa Família melhorou a alimentação das famílias e reduziu em mais de 50% a morte infantil por diarreia e desnutrição. Não se esqueçam, Barros todos, que o programa é condicionado: as crianças devem ir à escola, garantindo que 17 milhões de estudantes tenham sua vida escolar acompanhada. As crianças estão ficando mais altas, inteligentes e com boa auto-estima. É como uma vacina multivalente que deve ser aplicada às mais fracas das gentes, reverberando como um inteligente, econômico e humano INVESTIMENTO no futuro do Brasil!

Os flagelados da seca.
Houveram muitas secas marcantes na história nordestina e, nas décadas passadas, ouvíamos periodicamente nos noticiários da TV notícias sobre os "flagelados da seca". Uma seca que ocorreu no período de 1979 a 1984 era, na época, a mais longa e abrangente da história documentada do Sertão onde, segundo dados da Sudene, se registrou  um número inacreditável de mortos: 3,5 milhões de pessoas – especialmente crianças! – devido não só à fome e à sede agudas, mas também à doenças advindas da desnutrição. Repito: 3 MILHÕES E QUINHENTAS MIL PESSOAS MORTAS DE FOME E SEDE!
Hoje, passamos por uma seca pior do que aquela e não se houve mais falar dos tais flagelados, devido única e exclusivamente aos amplos programas governamentais. É um milagre brasileiro que faria Betinho sorrir emocionado.
Sabem quem foi Betinho, senhores e senhoras Barros?

Economia.
Com o Bolsa Família, o dinheiro repassado estimula a economia dos municípios, gerando um circulo virtuoso de trabalho e renda para outras pessoas sendo que, neste jogo, cada 1 real investido retorna 1,78 reais para a economia. Ele ajuda a manter aquelas milhões de pessoas na ponta da pobreza como membros ativos economicamente e move um desejo de crescer cada vez mais. Já pensaram no valor disso, mesmo num contexto de economia de mercado?

As pessoas e seus direitos, a sociedade sectária-depredatória e o Basic Income.
Os seres humanos nascem na terra, e todos tem direitos: direito à vida, à liberdade; direito à uma vida plena e com o mínimo para sobreviver. Mas a sociedade – como está constituída – retiram dos marginalizados estes direitos e o quinhão que lhes cabe deste mundo; não permitem mais a eles adentrar na floresta e se alimentar do que o planeta oferece, como consegue fazer qualquer animal livre. Cercam as propriedades e as belezas naturais e dizem que ninguém pode entrar, depredam o mundo e exaurem suas riquezas.
Mas ninguém é, verdadeiramente, dono da terra! Todos nós – animais humanos e animais inumanos –temos direitos como terráqueos que somos. Assim, é natural e justo que parte da riqueza seja, sim, distribuída entre todos os habitantes deste belo planeta, incondicionalmente, somente pelo fato de ser um cidadão da Terra.
O mundo começa a se aperceber disso e caminha para o Basic Income, a Renda Básica que, se vocês não sabem, é uma quantia para ser paga em dinheiro a cada cidadão vivo. No Brasil, a lei n° 10.835/2004 (do Senador Eduardo Suplicy) institui a Renda Básica de Cidadania e foi aprovada pelo senado e sancionada pelo Presidente da República em 2004, devendo ser aplicada de forma gradual começando pelos mais necessitados, como uma perfeita evolução do Bolsa Família.
Isto deveria ter acontecido há muito tempo, mas a lei não foi cumprida. Apesar destes fatos, o que os Barros fazem? Tencionam retirar uma das únicas medidas que foram efetivamente feitas desde o descobrimento do Brasil para sanar as imensas e seculares injustiças da sociedade brasileira.
Querem destruir aquilo que amenizou nossa vergonha perante o mundo e o Transcendente, como se desejassem outras milhões de crianças mortas de fome e sede, vistas no Brasil das décadas passadas.
É isso que desejam para a infância do Brasil, caros membros da família Barros e outros bolsa-atacantes?

A conta prejuízos.
Sabe-se que nada é perfeito. Uma empresa tem a conta "prejuízos" pois falhas ocorrerão, acarretando um respectivo custo. Até na religião é assim: hipócritas, pedófilos e ladrões existem nela em certo grau, mas nem por isso pensa-se em acabar com as religiões. Se a corrupção existe, o que se deve fazer é combatê-la o máximo possível e tentar banir os maus. Da mesma forma, muitos beneficiários e intermediários dos programas assistenciais farão coisas erradas, mas como tudo neste mundo, deve-se tentar melhorar, e não acabar com tudo.
Se transpormos esta posição assumida por vocês a todas as esferas, a sociedade humana acaba.

Bolsa Família no Mundo.
Você acha que somente o Brasil tem programas deste tipo, Victoria e Ricardo? Alemanha, Estados Unidos, França Inglaterra e muitos outros grandes países deste mundo colocam valores nas mãos dos pobres que ficaria faria de você uma moça enormemente surpresa e portadora de vergonha ao encher a boca para falar dos míseros dos 70 reais do programa brasileiro. Pesquise e verá com os próprios olhos.

Custo.
Dividindo o custo total do programa para cada brasileiro, quanto sai proporcionalmente do seu bolso, do seu pai e de sua mãe ao ano, jovem deputada? Pago-lhes uma cerveja com este valor se, mesquinhamente, sentem alguma revolta por esse dinheiro que lhe é "subtraído".

Se eu pudesse... 
Daria a todos os que julgam e condenam os pobres beneficiários do Bolsa Família – não como castigo, mas como necessário remédio amargo pró-empatia:
- Uma semana de fome;
- Uma sequência constante e infindável de perda de direitos e de condições de sair da armadilha da pobreza;
- Um silencioso e mesquinho abandono dos governos enquanto as misérias sociais consomem a você e aos seus;
- A dor de não poder alimentar a quem ama.
Assim, entenderiam pela via da realidade sentida a importância primordial – acima de todo argumento – de um país sem fome. Só assim, talvez, pudessem entender – porque o melhor remédio e escola é viver a realidade do que, sem pensar, se clama, e também sentir a dor do outro que se desdenha.

Questão final:
Do barro da terra se converte a criatividade humana em coisas úteis.
E dos Barros – entidades políticas e humanas–, o que virá?
Sua Vitória é subtrair avanços e devolver pobreza, cara Maria?

EdiVal
16/12/2015


segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

PROMÉCIO, O POLÍTICO CLAUDICANTE

Os que, investidos de um cargo público, se utilizam dessa condição para obter benesses para si ou para outros  amealhando riquezas, facilidades e favores  são adequadamente denominados CORRUPTOS. Eles praticam a prevaricação, a usurpação, o nepotismo, a extorsão, o peculato, o patrimonialismo, usam e abusam do "jeitinho" ou constroem uma sofisticada máfia corruptora.

Não, não é de agora que eles mostram a cara: desde a época do descobrimento do Brasil estes cidadãos se servem de sua posição para obter algum tipo de benefício para si, multiplicando a miséria e espalhando uma vida indigna pelo resto da Nação.

Naquela época primordial, diz-se que o escrivão de Cabral (Pero Vaz de Caminha) já chegou pedindo emprego para seu genro, o que seria o primeiro caso de nepotismo em terras de Santa Cruz.

Esta sórdida realidade, a bem da verdade, não é privilégio do Brasil, ocorrendo em todas as eras e lugares; contudo, pelos desdobramentos históricos a corrupção aqui sempre foi grande e veladamente aceita  quiçá admirada  com muitos SONHANDO em pegar um quinhão deste bolo.

Aceita a realidade acima, em primeiro lugar ela não deve ser utilizada como justificativa amenizadora, conformista ou (hetero ou auto)condescendente. Ouve-se, nestes casos: "todo mundo age assim", "prometeu-me um cargo", "rouba mas faz"...

Estes e aqueles  políticos e servidores , para alcançar a "oportunidade" do cargo público, alardeiam para o mundo integridade, honradez, servir e prometem eficiente uso do dinheiro público em retribuição à "confiança outorgada", mas são todas mentiras e promessas manipuladoras.

Daí nascem os PROMÉCIOS.

Alcançada a almejada posição, só pensam em si e em manter eternamente, a qualquer custo, o poder adquirido.
São estas posturas, todas, identicamente falhas, coxas, mancas.

Daí nascem os servidores CLAUDICANTES.

(Claudicar é um verbo que significa mancar, coxear, fraquejar, cair em erro ou falta  um termo ameno para os modos de ação aqui descritos,)

Por outro lado, CLÁUDIO (aproveitando o trocadilho e o exemplo) é o aeroporto inacreditavelmente construído em terras de parentes por um famoso político  tão debatido nos fóruns da Internet, mas negligenciado pela imprensa e pela justiça. É o perfeito exemplo do que trata este texto e que, por suas características, eu chamo de ""Desvio" de Obras Públicas" e coloco como uma "faceta negligenciada da corrupção no Brasil".

Da história pessoal deste mesmo político (A. N.) obtêm-se concessões de rádios, favores aos poderosos (estrada na fazenda dos Marinhos, viagens de "famosos" em aviões públicos, entre outros), e até mesmo outro aeroporto controverso.
É o protótipo do político tipo "Promécio Claudicante".
Outro exemplo que está pondo o Brasil em polvorosa é Eduardo Cunha. Coxeando impunemente à décadas, coloca o país em frangalhos por seus interesses egoístas e vis.

Promécios são, então, estes que se servem do poder, sugam tudo que podem, retiram o leite dos inocentes, a água da terra seca. Eles mancam e se arrastam pelas falhas do sistema, claudicam freneticamente sem medo de cair, pois a cama é muito macia, e os claudicadores amparam uns aos outros em todas as esferas de poder.

Claudicantes, desta maneira, são os que agiram como se vê na Petrobrás, no cartel nos trens (o "trensalão tucano") e no TRT (ambos de São Paulo), e no gigantesco escândalo do Banestado. São os anões do orçamento, os portadores do dinheiro na cueca, os vampiros da saúde... E assim a lista caminha, Ad infinitum, na Terra Brasilis.

Nossa culpa é vergonhosa porque, mesmo explícita esta verdade desde sempre, nós (o povo) nunca a trouxemos para a esfera do real, da combatividade não-seletiva, da indignação consciente e proativa.

Está na hora de colocar obstáculos para os que claudicam, retirar os corrimões e serrar as bengalas, pois no presente espaço tempo neste "aqui e agora" – somos nós que sofremos e é a nós que cabe, exclusivamente, o necessário esforço para mudar este sofrível status quo.

E isto deve começar por mim e você, caro leitor, não nos corrompendo nem deixando corromper, seja nas grandes ou pequenas coisas, em qualquer lugar, e fazendo nossa parte para mudar lá em cima também.

Aproveitemos o momento para revolucionar a nós e ao Brasil.
Banamos e ofereçamos bananas listradas aos promécios e aos que claudicam vergonhosamente.

É de baixo para cima que acontecem as grandes e pacíficas revoluções!

Edival
07/12/2015

Atualização de final de ano:
Aécio (Promécio), o político do aeroporto de Cláudio (Claudicante), foi citado por receber R$300.000 de propina.
Provavelmente não é esta a maior mancada deste político manco, mas pelo menos é algo que  sabendo ele ser deste tipo  nos lava a alma e enche de esperança nesta virada de 2015 para 2016.
Que sejam banidos da vida pública todos os Promécios, os que claudicam e contribuem para a miséria de nosso povo! (derradeiros dias de dezembro de 2015)

domingo, 15 de novembro de 2015

O (Novo) Amargo Gosto do Rio Doce

Adeus Rio de Doce sabor,
Parque Estadual do Rio Doce
Antes, tanta alegria acolhida,
Em tantas prosas e versos cantado.

Hoje, 660 Km de fétida e dilacerante dor,
Derramada em toda lembrança ali construída,
E no abundante alimento desde sempre ofertado.

Soterraram em monótono tom todos os sonhos e toda cor,
De tanta gente que ali viveu ou será nascida,
Por um irresponsabilidade de grande crime culpado.

Adeus grande amor...
Agora desprovido de qualquer vida,
Pelo pus marrom injetado na veia em que corria, somente, o líquido sagrado.

(Será assim o fim de toda beleza e o começo da saudade?)

Adeus Rio amado!
Sufocado no lodo derramado.

Adeus Rio Doce!
Doce que tanto queríamos que ainda fosse.

Lama,
Não devia ser derramada sobre quem tanto ama.

Adeus grande e doce amor.
Adeus...


EdiVal
15/11/2015