segunda-feira, 15 de junho de 2015

Os Quatro Paladinos da Luta Contra a Fome no Brasil

Por séculos, uma fome grande envergonhou o Brasil.
Esta condição degradante perdurou até a pouco, tocando-nos fortemente para além dos anos 2000.

É o que mostra estas capas de reportagens de época na figura abaixo (1998 / 2002).


Manchetes da FOME, da SECA e da MISÉRIA: retratos de um Brasil envergonhado.

Depois desta apreciação, prestem atenção na seguinte informação, totalmente esquecida pelos brasileiros. Os dados são da SUDENE:

NA GRANDE SECA DE 1998-2002, MORRERAM NADA MAIS NADA MENOS DO QUE 3,5 MILHÕES DE PESSOAS! 

Estas mortes eram, em sua grande maioria, constituída por crianças, e ocorreram principalmente devido à fome de longo prazo (e a consequente debilidade física).

Sabiam de algo desta magnitude, caros leitores?

Todos sabem que com as recentes medidas de proteção social, finalmente adotadas como Política de Estado pelo governo Lula e continuadas nos governos subsequentes – especialmente o Bolsa Família e a valorização do salário mínimo – houve uma drástica redução na fome e na miséria em nosso País, culminando com a saída do Brasil do mapa da fome do mundo em 2014, segundo dados da FAO/ONU.

Brasil sai do mapa da fome em 2014.

Quando lançamos um olhar sobre a fome na Terra Brasilis, nos deparamos com uma história recheada de tragédias e grandes personagens, cujas lutas inclusive repercutiram mundo afora, pois foram batalhas realmente significativas e que, para variar, o próprio Brasil se esquece.

Eu me lembro de Betinho, a figura magérrima (como se a fome o assombrasse verdadeiramente) que lutava com todas suas forças pelo fim do flagelo da fome no País. Além dos citados acima (Lula e Betinho), mais duas figuras aparecem como heróis desta luta: Josué de Castro e Dom Hélder Câmara. Vale a pena conhecer suas biografias, pois construíram uma história que mudou o Brasil e – quiçá – mudará o mundo.

Pelos dados que alcancei, pode-se colocar estes quatro personagens citados como os grandes cavaleiros e paladinos da histórica, secular e épica luta contra o monstro da fome no Brasil.
Eles podem ser considerados, tranquilamente, os patronos desta guerra santa.

Um resumo das realizações de cada um é colocado (muito sinteticamente mesmo) nas figuras abaixo:

............................................................................

............................................................................

............................................................................


Parece que os brasileiros não perceberam a importância histórica desta conquista. não se deram conta de quão triste era viver em um País tão rico, mas que ao mesmo tempo permitia que milhões (milhões mesmo) morressem de fome, tal a exclusão e concentração de renda que permitia.

A história há de fazer justiça a estes personagens históricos!

Como adicional, coloco as figuras e informações básicas na forma de um infográfico:




EdiVal
15/06/2015


quinta-feira, 11 de junho de 2015

Sou Charlie e Muitos Outros

Sou Charlie, não tenho dúvidas que sou.
Mas sou também cada uma das milhares de vítimas de Boko Haram que foram assassinadas simultaneamente com Charlie, mas negligenciadas por um mundo que busca o glamour noticioso e não a humanidade.

Sou todos os seres que sofrem algum tipo de Violência no Mundo, sou cada ser humano injustiçado.

Sou Malala, sou as crianças palestinas mortas em ataques sem distinção entre o bem e o mal, a inocência e a culpa. Sou as mais de 100 pessoas que morrem por dia em decorrência do disparo de algum tipo de arma de fogo no Brasil, e sou também todo dado estatístico que engrossa o Mapa da Violência na Terra Brasilis.

Sou todas as "Marias da Penha", sou Tim Lopes, Jean Charles; sou Madeleine, Isabella, Natascha Kampusch e João Hélio; sou cada uma das vítimas do massacre do Carandiru e de Columbine. Sou o índio Galdino, sou Pedrinho e sua mãe.

Sou cada criança explorada sexualmente em todo o mundo e castradas da alegria por ignorâncias e violências de todos os tipos, nos quartos escuros de seu lar ou fora deles.


Sou, mais recentemente, o alpinista Ulisses Costas Cancela.

Sou as vítimas torturadas das ditaduras de todos os tempos e lugares, de qualquer ideologia.  Sou (literalmente) as vítimas da corrupção que, desde a Terra de Santa Cruz, empobrece a população e massacra o futuro da Nação.

Sou os atacados pelo ódio fascista que pragueja o Brasil. Sou também os linchados moralmente por jogos de dinheiro e poder. Sou os que foram imolados tentando se manter íntegros, não se corromperam e, por isso, pagaram um alto preço.

Sou Dorothy Stang, Chico Mendes e todos os 116 ecologistas mortos pelo mundo em 2014.

Sou cada uma das vítimas do ataque terrorista às torres gêmeas do Word Trade Center e cada um dos vitimizados pela guerra anti-terror que obscurece o mundo.

Sou, enfim, todo aquele que foi vítima da ignorância dos homens e, em especial, sou mais ainda aquele que sofreu dolorosas injustiças e violências na luta pela paz, por um mundo mais justo, mais sábio, e que tenha algum valor para se viver.

Je suis le peuple.


EdiVal
11/06/2015

quarta-feira, 10 de junho de 2015

Imagens de Um Brasil Preconceituoso, Fascista e Desumano

Em 2014, viu-se a explosão de uma onda de violência nas ruas e na Internet: linchamentos, meninos pobres negros amarrados em postes, cartazes fascistas em manifestações pedindo a volta da tortura e suásticas dançando. Nas eleições, agressividade e preconceito contra nordestinos e assistidos por programas sociais.

Assim, viu-se uma parte da população - torpe, agressiva, preconceituosa, egoísta e excludente - emergir das profundezas da sociedade Terra Brasilis.
Em 2015, vê-se o consolidar desta tendência acachapante.

Na tentativa de mostrar o quão destrutivo para todos este fato, neste texto/mural, pretendo fazer um depositário das notícias que mostram este Brasil que fala o título, e que, impotentemente, vemos todos os dias se assomando em um crescendo de força. 

A cronologia será de cima para baixo. No final, um pouco de 2014.

Junho/2015:





Maio/2015:
                             


             




Abril/2015:






Março/2015:

 




Feveiro/2015:













Janeiro/2015:


            

                 

2014: o ano que as feras saíram das jaulas. 









EdiVal
16/06/2015

quarta-feira, 3 de junho de 2015

O Acordo Implícito entre os "Elitistas" e o Militarismo

Em artigo anterior (ver aqui), procurei demonstrar que não existe uma "maldade" intrínseca no que chamamos de "ELITES", e sim no ELITISMO – este, com certeza, humanamente deplorável, explorador e excludente.

Os elitistas amam sua pretensa posição de superioridade, como que se vivessem em pedestais (reais ou imaginários), acima do bem e do mal, tal qual uma casta merecedora de todos os privilégios.

Só se sentem bem com seus pares de mesma ou superior posição (seja por dinheiro, poder ou fama). adicionalmente, desprezam os seres abaixo de sua posição. Seu olhar é de cima, de soslaio, de horror muitas vezes. Pobres e miseráveis não lhes trazem compaixão, mas somente o reforço de sua crença de superioridade e de predestinação.
Quando estes inferiorizados lhes enfrentam, de igual para igual, suscitam o ódio e desejo de vingança – tal qual deuses blasfemados.
É um tal de "você sabe com quem está falando", processos e – infelizmente – uso de uma partidária força policial como braço forte e ferramenta de usos próprios.

Todos conhecemos a história da polícia militar, legado do golpe de 64 onde uma ditadura truculenta se instalou e se mostrou repressora violenta das manifestações de classes populares que ousaram levantar sua voz na luta por direitos, por uma vida melhor em um país intensamente injusto e excludente. A estes, só foi dado o direito de servir os elitistas.

Conhecemos também, através de fatos vistos e vividos por estas terras, a história do doutor-infrator (ou mesmo criminoso) que de vez em quando mostra sua cara, sendo sempre muitíssimo bem tratado por esta forças policiais que deveriam primar pela isonomia e justiça.

Estas fotos mostradas nos dois quadros abaixo mostram um instantâneo desta realidade, e nenhum brasileiro em sã consciência dirá que não existe esta diferença de ação.
A primeira imagem do primeiro quadro 1 vê-se um policial espirrando spray de pimenta em uma criança negra, em um protesto de desabrigados da chuva em Niterói. O que dizer diante de tal imagem?

Quadro 1. Repressão policial em protestos por melhores condições de vida e mais justiça.
Quadro 2. Protestos pela quebra do estado democrático e pela volta do militarismo.
Eu pergunto:

Alguém poderia imaginar o primeiro quadro nas pessoas do segundo, e o segundo quadro nas pessoas do primeiro?

Tal imaginação causa desconforto, estranheza e senso de irrealidade, não é mesmo?

Porque é assim? O que aconteceu em nossa história para que este estado de injustiça se instalasse?

Uma pista é que os elitistas (e não exatamente, como propus, as elites) vem há séculos comandando o país. Eles sabem de seu poder e buscam sempre aumentá-lo através das facilidades própria dos poderosos, como a compra corruptiva de pessoas, os lobbies, a política endinheirada e o apoio da imprensa que comandam desde que a ditadura os promoveu.

Deste modo, a ditadura e a ascensão elitizante dos "escolhidos" foi uma união sórdida, um momento histórico infeliz em que um pacto foi feito entre militares e elitistas.
Sem dúvidas, um pouco de história mostrará a qualquer um como foram construídas as oligarquias atuais que mandam e desmandam em nosso país, que não desejam perder seus privilégios, que se insatisfaz com a diminuição da mão de obra servil e miserável, antes abundante e que destacava, ainda mais, sua posição de superioridade e mando perante a sociedade.

Pode-se dizer que vivemos, ainda hoje, a inércia deste acordo entre militares e os elitistas, implícito em nossa sociedade mas nunca assumido, sempre percebido de modo velado, mas continuando a mudar os rumos da nação.

E não precisa muito para este lado se mostrar nas pessoas: basta ascender um pouco dentro da sociedade e se enquadrar no protótipo dos que estão mais do lado dos "eleitos" – isto é, a família branca, cristã, bem tratada, bem vestida, abastada e intransigente – para, automaticamente, fazer parte do quadro dos protegidos pelas forças estatais de segurança – e se duvidar, pelo próprio povo .

Resta esperar que o tempo mude esta condição que fere todo senso de justiça e envergonha quem tem humanidade; por enquanto, não cooperaremos com tal fato, e não nos deixemos acostumar. Devemos confiar no futuro e nos jovens, pois estes moram na casa da amanhã e, aos poucos, se distanciam do passado.

É hora de deixar as heranças escravagistas, dos coronéis e do militarismo para trás. É hora de abandonar os preconceitos e o comando dos elitistas.

Só assim o Brasil dará um salto em termos de qualidade social, para mais perto de uma sociedade minimamente justa onde não se veja cenas em que autoridades travestidas de crueldade ataquem os que mais sofrem, sob o comando de pessoas e entidades elitistas que se sentem acima do bem e do mal.

EdiVal
03/06/2015

terça-feira, 2 de junho de 2015

A Diferença Entre Ser da ELITE e Praticar o ELITISMO

Os movimentos sociais brasileiros/mundiais eternizaram (em muitos casos, demonizaram) o termo "ELITE" como uma contraposição negativa ao (explorado) povo, este mais simples e menos abastado.
O que eu gostaria de dizer neste caso é que aqui também vale a velha e sábia regra do bom senso, devendo-se ter muito cuidado com generalizações, pois podem levar a injustiças e indisposições bélicas desnecessárias entre largas fatias de população.

Para começar, existem muitas classes daquilo que chamamos de "elite": intelectual, artística, esportiva, econômica. O mal mora nestes grupos por serem da elite? Obviamente, não!
Ser da elite é como, por exemplo, pertencer à classe médica: não é porque estou lá que vou fazer parte da máfia de branco ou tratar mau meus pacientes do SUS.
Nela (a elite), não reside nem o bem nem o mal por si só, pois a escolha do lado que uma pessoa ou grupo irá se mover depende do caráter e da oportunidade – daí a importância de sistemas que limitem excessos.

Por este motivo, não acho justo falar da elite brasileira como sendo, inexoravelmente, "do mal", pois obter o sucesso e passar a pertencer ao que é classificado como uma posição social elevada não implica um salto automático para uma "casta superior" e não é garantia de crescimento do tal "rei na barriga".

Esta condição é denominado de ELITISMO, definido como a posição daquele que se ASSUME parte de uma casta superior, e que movido por este pensamento doentio defende posições próprias desta crença e busca, sempre, o favorecimento de si próprio e de sua classe minoritária.

Poderíamos, talvez, passar a denominá-la de "elite reacionária", ou "elite egoísta", quem sabe. Alguma sugestão?

Sem dúvidas, na Terra Brasilis estes se encaixam na descrição da "elite" de que falam os movimentos sociais e muitos intelectuais: família branca, cristã, bem vestida, clean, hipócrita, preconceituosa, anti-distribuição de riquezas e oportunidades.
Carregam o ranço escravagista e o desprezo – quiça ódio mortal –aos favelados, pedintes, moradores de rua.

Os elitistas adotam o urbanismo da sociedade estratificada, com territórios bem demarcados: a favela dos pretos miseráveis, o bairro da periferia que mora o pobre servil, o gueto dos desenquadrados.

Para eles, o menino que rouba um doce no mercado merece ser linchado, morto, aprisionado; já para o adolescente bem-nascido que coloca fogo em um mendigo, só as benesses de um sistema de justiça que, na maioria das vezes, privilegia que tem dinheiro e poder.

Os elitistas não se envergonham de serem favoráveis ao extermínio de brasileiros infratores por parte das forças policiais e de qualquer um que não se enquadre em seu protótipo de mundo ideal: pobre é o trabalhador braçal e a empregada doméstica que durma no emprego; estes, tem de estar agradecidos pela oportunidade de trabalhar em sua dura jornada, e devem sempre saber bem "com quem está falando".

Em resumo, "elite" é algo, per si, neutro - nem bom nem ruim; já "elitismo" é partidário e excludente e, segundo este ponto de vista, ser parte de uma elite pode ser amplamente positivo e desejável – já que implica sucesso e não, necessariamente, uma postura negativa; já ser elitista é, sempre, humanamente condenável.

Para terminar, reitero que o objetivo deste texto é passar toda contraposição que acompanha o termo "elite" aos "elitistas", e também ser um passo em direção à paz entre as camadas menos favorecidas (e seus defensores) e as classes mais privilegiadas, bem como tentar trazer uma maior consciência aos "elitistas".

Somos todos iguais em humanidade, e que nenhum ser humano acredite no contrário!



EdiVal
02/06/2015